José Goulão / Flickr
O Presidente da República, Cavaco Silva
Pouco tempo depois de Cavaco ter anunciado aos Portugueses a decisão de indigitar Passos Coelho como primeiro-ministro, as críticas rapidamente caíram em cima do Presidente da República.
Foi na noite desta quinta-feira que o Presidente da República decidiu dar posse a Passos Coelho para formar o novo governo, algo que já se esperava, depois de ter concluído as audições com os partidos em Belém.
Além de invocar o facto de que, em quarenta anos de democracia, essa responsabilidade tem sido sempre atribuída ao partido que teve mais votos, Cavaco Silva recusou um governo de esquerda, dando o argumento de que a proposta de outros partidos foi “inconsistente”.
Aliás, o atual chefe de Estado lamentou mesmo que os “interesses conjunturais se tenham sobreposto à salvaguarda do superior interesse nacional”.
Porém, Cavaco lembrou que “a última palavra” na formação do Governo cabe sempre aos deputados, a quem compete decidir em consciência, “tendo em conta superiores interesses da nação”, se o Governo deve assumir as suas funções.
As críticas à sua decisão não se fizeram esperar, a começar pelo secretário-geral do PS.
O lider socialista acusou o Presidente da República de criar uma “crise política inútil” ao indigitar Passos, pois PSD e CDS-PP não têm “apoio maioritário” no Parlamento.
“É incompreensível a nomeação de um primeiro-ministro que antecipadamente o Presidente da República sabe que não dispõe nem tem condições de vir a dispor de apoio maioritário na Assembleia da República”, disse António Costa no Largo do Rato.
Por isso, os socialistas quiseram mostrar que estão unidos nesta luta, tanto que a Comissão Política do PS aceitou dar mandato ao Grupo Parlamentar para preparar uma moção de rejeição ao programa de Governo da coligação Portugal à Frente.
A única discórdia parece vir por parte do socialista Álvaro Beleza que propôs que o acordo à esquerda fosse referendado pelos militantes e apoiantes do partido.
Também João Soares reagiu à decisão de Cavaco, dizendo que “inevitavelmente Passos Coelho vai ser derrubado” na Assembleia.
“Penso muito sinceramente que esta decisão do Presidente faz o país perder tempo porque inevitavelmente quem foi indigitado como futuro primeiro-ministro vai cair nesta Assembleia da República, não tenho sobre isso qualquer espécie de dúvidas”, afirmou aos jornalistas.
A porta-voz do Bloco de Esquerda não perdeu tempo em juntar-se ao grupo, tecendo duras críticas ao Presidente da República, acusando-o de estar a comportar-se como o “líder de uma seita”
.Em entrevista à TVI, citada pelo Diário de Notícias, Catarina Martins considera que o chefe de Estado está “a dizer a um milhão de pessoas, que votaram nos partidos que não são os três que ele admite para integrar um Governo, que não valem nada”.
Também o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, citado pelo Jornal de Notícias, acusou Cavaco de atuar como um “representante de PSD e CDS-PP”.
“O Presidente da República torna-se responsável pela atitude de confronto com a Constituição e pela instabilidade que gera e consequências políticas e institucionais dela decorrentes”, afirmou.
Já o presidente da Confederação Empresarial de Portugal, António Saraiva, considerou que o Presidente da República usou no seu discurso um “tom crispado”, que pode “prejudicar o ambiente político-partidário” e o “quadro de diálogo de estabilidade”.
O outro lado
Passos Coelho optou por não fazer nenhuma declaração, no entanto, o vice-presidente do CDS-PP Nuno Melo considerou, citado pelo JN, que “indigitar quem venceu é um ato normal em democracia e optar por quem perdeu é que seria estranho”.
Nuno Melo considerou ainda que este foi um dos discursos mais “importantes, claros e corajosos” de todos os mandatos de Cavaco Silva.
Quem partilha da mesma opinião é Paulo Portas que defendeu esta manhã que o discurso do Presidente “foi muito corajoso”.
“O Presidente da República indigitou quem venceu as eleições e é isso que é democrático e expectável. Cavaco Silva fez exatamente o que fizeram todos os Presidentes da República ao longo de 40 anos da democracia”, comentou o líder do CDS.
Trata-se de “uma regra de bom senso a partir da leitura da Constituição”, defendeu Portas depois de uma reunião com a direção da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal, em Lisboa.
ZAP / Lusa
Depois de tantos sacrificios que passámos durante estes quatro anos, verifica-se que, de facto o País não evoluiu, nem económicamente, nem socialmente, muito menos democraticamente e, muito muito menos culturalmente.
Isto, verifica-se pela linguagem utilizada nestes comentários. A ráiva, o ódio que se faz sentir nas palavras destas pessoas.
Já pensaram se o Dr. Pedro Passos Coelho não tivesse desrespeitado, mal-tratado e ignorado os valores do P.S., mais, se tivesse tido a capacidade politica, de saber lidar e negociar os pontos fundamentais com o P.S., se estariamos confrontados com esta situação?
Em meu entender, o Dr. Passos Coelho, não foi capaz, não teve força suficiente e, daí estar sojeito a cair nas mãos de quem tão mal tratou.
Tudo faz parte da democracia, por isso, meus caros comentaristas, se se concideram Portugueses e querem o melhor para o nosso Portugal, não deixem de respeitar os que têm ideias diferentes porque eles, de certeza também querem o melhor para o seu País e, porque o nosso Portugal também é deles