Sampaio da Nóvoa / Facebook

Sampaio da Nóvoa e Marcelo Rebelo de Sousa no debate presidencial na SIC.

Marcelo Rebelo de Sousa e Sampaio da Nóvoa protagonizaram um dos mais acesos debates das eleições presidenciais com o ex-reitor a obrigar o professor, de quem até é amigo, a deitar as garras de fora pela primeira vez.

Os dois ex-colegas da Universidade de Lisboa ainda há dias foram fotografados às gargalhadas e em amena cavaqueira, nos bastidores de um dos debates presidenciais, dando sinais da boa relação que os une há vários anos.

Amigos, amigos, candidaturas à parte! E durante o debate mediado por Clara de Sousa, na SIC, a jornalista teve que chamar os candidatos à “ordem”, por várias vezes.

Nóvoa obrigou Marcelo a empenhar-se naquele que terá sido o debate mais difícil do professor, eventualmente apanhado de surpresa pela postura de ataque permanente do amigo e adversário.

O ex-reitor começou desde o primeiro minuto a ofensiva contra Marcelo, acusando-o de ser “a pessoa que ainda há três meses defendeu o Governo de Passos Coelho e Paulo Portas”.

O ex-comentador da TVI atirou que Nóvoa “alinha com uma parte do país contra a outra parte do País”, notando que “o Presidente não pode ser de facção”.

“O que é sempre impressionante é ouvir 20 citações suas a dizer uma coisa e outras 20 a dizer o contrário”, ripostou Nóvoa.

Marcelo não se ficou e falou na “história de vazio, de ausência

” do ex-reitor, salientando que “apareceu agora virgem, a tomar posição política”.

“Onde estava no 25 de Novembro? Os portugueses sabem onde estive no 25 de Novembro, na Constituinte, na Revisão Constitucional, na moeda única”, considerou Marcelo.

Nóvoa lamentou então o “argumentário pobre” e realçou que “os portugueses precisam de ter renovação na política”.

E quando o ex-reitor acusou Marcelo de querer extinguir o Serviço Nacional de Saúde, por causa de um decreto-lei de 1982 quando era Secretário de Estado, o ex-comentador atirou para cima da mesa os gastos da campanha, notando que não anda como o opositor “a desembarcar de uma carrinha com seis assessores”.

Afirmações “anti-democráticas”, ripostou Nóvoa, realçando a sua “preocupação de levar a mensagem às pessoas” e acusando Marcelo de participar “em campanhas para Presidente com quatro vezes mais gastos”.

Quanto ao estilo presidencial que vão assumir se forem eleitos, Marcelo promete ser uma espécie de árbitro para “coadjuvar” um “governo em situação complexa”.

Já o ex-reitor diz querer ser “um Presidente de causas” para não “deixar tudo na mesma”.

SV, ZAP