Carlos Barroso / Lusa

Luís Marques Mendes

No seu habitual espaço de comentário na SIC, Luís Marques Mendes falou sobre a queda histórica do PIB e a polémica do Novo Banco.

Luís Marques Mendes considera que a queda do Produto Interno bruto (PIB) no segundo trimestre (cerca de 16%) é brutal, mas não é surpreendente, dado que o país esteve praticamente parado em abril e maio.

Apesar de haver países numa situação pior do que Portugal – como a Espanha, França, Itália ou Estados Unidos -, o comentador político sublinhou que não deixa de ser “um grande trambolhão“.

Por esse motivo, Marques Mendes não entende que o Governo já esteja a afirmar que “o pior já passou” na mesma semana em que ficou a saber-se que a queda do PIB no terceiro trimestre foi de mais de 16%. Em comentário na SIC, o antigo líder do PSD disse que em todas as circunstâncias “vale sempre mais a verdade” que a mentira.

“O País já está a trabalhar. Mas em termos sociais, o pior está ainda para vir. Não quero ser desmancha prazeres ou estragar as férias de ninguém, mas infelizmente o que vamos ter no futuro são três coisas – falências de empresas, aumento do desemprego e salário em atraso”, disse.

Sobre a recuperação, Marques Mendes disse que o plano de recuperação precisa “de avançar tão rápido quanto possível“. Antes de ele chegar, o comentador disse que “o lay-off simplificado devia ter sido mantido” pelo menos até ao final do ano, dado existirem muitas empresas que continuam a estar em dificuldade.

Sobre a polémica do Novo Banco, Luís Marques Mendes disse que “já devia estar tudo esclarecido”. “O Novo Banco tem de perceber que não é um banco privado como os outros”, e que cometeu dois pecados capitais.

Em primeiro lugar, o banco “já devia ter esclarecido tudo e não esclareceu quase nada”. “Houve ou não vendas ao desbarato? Houve ou não conflitos de interesses? Quem são os beneficiários efectivos das vendas de carteiras? É muita coisa que o NB tem de esclarecer.”

Em segundo lugar, frisou, um banco nestas circunstâncias “nunca devia ter financiado o comprador da carteira que estava à venda”. “Um banco direta ou indiretamente financiado pelo Estado não empresta dinheiro a uma sociedade sediada num offshore. Até pode ser tudo legal. Mas é tudo suspeito e promiscuo. Aqui o NB agiu mal.”

O comentador referiu ainda que há “muita hipocrisia” no processo: “Se lhe colocaram à disposição 3,9 mil milhões de euros, estão à espera de quê?”, questionou.

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