Dos micróbios até às baleias, o novo Atlas Biogeográfico do Oceano Antártico tem mais de 9 mil espécies registadas
Estrelas marinhas alimentam-se de fezes de foca mas águas rasas do Ántártico
A baleia jubarte, com cerca de 36 toneladas, migra para o Antártico durante o verão
Os mapas ilustrados do Atlas mostram dados como a a proporção de ano passado debaixo do gelo (à esquerda) e o número de espécies identificadas em diferentes sectores do oceano (à direita)
Esta anémona do Antártico vive até 3 km de profundidade, e tem 96 tentáculos
Pinguins-de-adélia vivem atualmente em toda a costa do Antártico
Este mapa mostra a distribuição de Pinguins Rei e Pinguins Imperador (à esquerda) e orcas (à direita)
A comunidade de uma abertura vulcânica, a mais de 2km de profundidade, inclui vastas quantidades de caranguejos yeti que se alimentam de bactérias
Esta criatura carnívora de 9 cm de comprimento é o Isópodo antártico gigante (Glyptonotus antarcticus)
Este elefante-marinho-austral foi fotografado na Ilha de Marion, do arquipélago sul-africano das Prince Edwards e Marion

O novo Atlas Biogeográfico do Oceano Antártico, que acaba de ser editado, tem “mais de 9 mil espécies registadas, desde os micróbios até às baleias”, revelou hoje a Universidade de Coimbra, que colaborou na obra.

Publicado pelo Scientific Committee on Antarctic Research, SCAR, o atlas resulta de “uma colaboração internacional sem precedentes”, envolvendo 147 cientistas, de 91 instituições de 22 países, entre os quais Portugal, sublinha a Universidade de Coimbra numa nota divulgada este domingo.

Para a elaboração desta obra sobre a vida marinha no Antártico, os cientistas envolvidos no projeto (oriundos da África do Sul, Alemanha, Austrália, Bélgica, Brasil, Canadá, Chile, Dinamarca, Espanha, EUA, França, Holanda, Itália, Irlanda, Japão, Noruega, Nova Zelândia, Polónia, Reino Unido, Rússia e Suíça, além de Portugal) reuniram toda a informação existente sobre as espécies oceânicas e “partilharam a sua experiência e conhecimento”.

DR José Xavier

José Xavier, investigador da U.Coimbra e do British Antarctic Survey, é o biólogo marinho português que mais tempo passou na Antárctida em investigação.

Segundo José Xavier

, investigador da Universidade de Coimbra, este vasto mapeamento de espécies permite “responder, pela primeira vez, a questões tão simples como quantas espécies existem na Antártida, onde estão distribuídas, e qual é a biodiversidade existente nesta parte do planeta”.

Com o efeito das alterações climáticas, “esta informação é vital para se tomarem medidas e políticas de conservação nesta região”, acrescenta o cientista, único português que fez parte da equipa internacional de biólogos marinhos e oceanógrafos responsável pela elaboração do atlas.

Os dados fornecidos no novo atlas funcionam igualmente como um legado e, segundo os seus autores e editores, são de “leitura obrigatória para qualquer pessoa interessada nos animais que vivem no fim da Terra”.

Dividida em 66 capítulos, a obra “engloba também uma incrível coleção de fotos”, adianta a UC, referindo que esta é “a primeira vez, desde 1969” (quando a Sociedade Americana de Geografia publicou o seu Antártida Map Folio Series), que é “compilada toda a informação que se conhece sobre as espécies oceânicas”, conclui José Xavier.

ZAP / Lusa / BBC