Mário Cruz / Lusa

O ex-primeiro-ministro José Sócrates

A Procuradoria-Geral da República (PGR) concedeu mais seis meses para a conclusão do processo de acusação da Operação Marquês que tem José Sócrates como o principal arguido.

Os investigadores do caso têm assim mais 180 dias para a “realização de todas as diligências de investigação consideradas imprescindíveis”, conforme salienta a PGR em comunicado, justificando este adiamento com a “excepcional complexidade” do inquérito e com o aparecimento de “novos factos” e “novos indícios” que foram “recolhidos em diligências recentes”.

Na nota divulgada pela PGR salienta-se que foram “igualmente identificadas suspeitas de operações de favor em novas áreas de negócio” e que há “ficheiros informáticos apreendidos que dependem de apreciação judicial”.

Além disso, persiste a “falta parcial de cumprimento dos pedidos de cooperação internacional dirigidos à justiça da Suíça e do Reino Unido”, salienta ainda a PGR.

No mesmo comunicado, sustenta-se que, “nos últimos dias”, os magistrados do Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) “afectos ao inquérito informaram o superior hierárquico de que circunstâncias imponderáveis e extraordinárias impediam a conclusão da investigação” no tempo previsto, isto é, esta quinta-feira, 15 de Setembro.

Esta data tinha sido fixada pelo director do DCIAP, Amadeu Guerra, em finais de Março.

Mas este adiamento por mais seis meses, não significa necessariamente que a conclusão da acusação esteja à vista. A PGR admite que o processo poderá vir a ser prolongado novamente.

A título muito excepcional, mediante requerimento fundamentado dos magistrados titulares, poderá ser admitida a possibilidade de prorrogação deste prazo”, salienta-se na referida nota.

A defesa de José Sócrates deverá tomar posição sobre esta decisão ao longo desta quinta-feira, depois de ter apresentado um pedido de recusa do juiz Carlos Alexandre, no seguimento da entrevista que ele deu à SIC.

O “super-juiz”, como é conhecido, disse naquele canal que “não tem dinheiro em nome de amigos” e Sócrates acusa-o de “imparcialidade” e de “abuso de poder”.

O Conselho Superior da Magistratura já anunciou também que vai analisar a entrevista de Carlos Alexandre.

ZAP / Lusa