O Governo anunciou, esta quinta-feira, o Programa Nacional de Investimentos (PNI) 2030, que tem como um dos principais focos uma nova linha ferroviária de alta velocidade para ligar Lisboa-Porto num hora e 15 minutos.
O jornal Público avança esta quinta-feira que a execução da linha, que vai seguir um traçado previamente delineado pela RAVE (Rede Ferroviária de Alta Velocidade), cruzar a linha do Norte em alguns pontos e obrigar à abertura de túneis e à construção de viadutos à chegada a Lisboa, via Arruda dos Vinhos, será faseada.
Primeiro, vai ser construído o troço entre Gaia e Soure e só depois vai ser feita a ligação a Leiria-Marinha Grande e a seguir a Lisboa.
A ideia é que os comboios comecem a utilizar os troços da nova linha assim que estiverem construídos — sendo que só depois é que poderão ser atingidas as velocidades de 300 quilómetros por hora que permitirão fazer a viagem completa em apenas 75 minutos.
O projeto vai tornar inevitáveis as construções de novas pontes, uma sobre o Douro, outra para assegurar a travessia do Tejo, na zona da capital.
Para já, a nova ligação vai ser construída em bitola ibérica, o que vai permitir que comboios de passageiros atualmente em circulação utilizem a ferrovia, mas faz com que seja impossível circular a mais do que 250 quilómetros por hora.
O projeto tem o custo estimado de 4,5 mil milhões de euros.
O Porto Canal adianta também que Porto e Vigo também vão estar ligados por uma nova ligação ferroviária de alta velocidade. As viagens que demoram 2 horas e 22 minutos passarão a fazer-se em apenas uma hora.
Segundo o Diário de Notícias, a linha de Sintra poderá ter mais comboios depois das obras de alargamento do troço ferroviário entre Roma/Areeiro e Braço de Prata, de duas para quatro vias.
Atualmente, a viagem na linha do Norte entre a capital e o Porto dura 2 horas e 58 minutos, demorando, assim, o mesmo tempo do que em 1977.
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Aos Senhores que comentaram acima e ao contrário do sentido negativo e altamente crítico dos vossos comentários, venho aqui fazer o papel de advogado do Diabo.
Ponto prévio: não sou socialista, não voto PS e não tenho qualquer tipo de interesses na construção. Mas sou profundo conhecedor da matéria porque a estudei em dada altura. Em todo o caso:
1 - A Alta Velocidade é uma inevitabilidade. Se a UE financia creio que é de aproveitar. No início da década de 90, a UE também financiava a 90%. Preferimos remodelar a Linha do Norte. 30 anos depois continuamos com obras e um troçado que tem mais de 150 anos;
2 - Para Mike: Só Portugal é que persiste na bitola ibérica. Em Espanha começaram há 30 anos (justamente com a Alta Velocidade) um plano de migração de bitola (a nova rede é toda em bitola europeia, a existente foi toda adaptada a bi-bitola - permite as duas através de um terceiro carril e travessas com as respectivas fixações). Em Portugal continuamos com bitola ibérica. Tudo o que tem sido remodelado tem-no sido em bitola ibérica. Neste ponto, razão absoluta para si e para o PL;
3 - Para PL: Em Espanha, Cidad Real, é uma paragem intermédia na linha entre Sevilla e Madrid. Dista 190 km de Madrid, percurso que demora 50 minutos a fazer. Em 2003, a assinatura mensal Cidad Real-Madrid custava 180 euros. O resultado: em 1990 Cidad Real tinha cerca de 10 mil habitantes. Em 2003 tinha quase 200 mil. 50 minutos é o que muitos lisboetas e portuenses perdem diariamente no trânsito. E, 180 euros é uma ninharia comparado com os 220 que custava em 2017 a assinatura Entroncamento-Santa Apolónia, para metade da distância e quase o dobro do tempo.
4 - Partilho das preocupações de todos quantos acima comentaram. É preciso que as autoridades e a população estejam alerta para as previsíveis golpadas à la maneira tuga envolvendo tal projecto. Que ele é necessário, disso, com o devido respeito por quem pensa diferente, é. O problema da nossa ferrovia não é só o material circulante. É uma rede envelhecida, escassamente mantida, desactualizada e congestionada. Há anos que se fala na quadruplicação da Linha do Norte em vários troços (o Estado Novo tentou fazê-lo, com os ramais de Tomar, da Lousã, a Linha do Oeste, etc.) e na construção de variantes ferroviárias. Em vez de remendos, talvez seja bom fazer novo, de raiz, a pensar no futuro.
5 - No entanto, construir uma linha dedicada para AV, em bitola ibérica,além de reforçar a nossa condição periférica em matéria de ferrovia, reforçará o isolamento porque não haverá comunicabilidade com as redes trans-europeias. Mas, enfim, continuamos um país de decisores mentecaptos.
6 - Ao ZAP: "O projeto tem o custo estimado de 4,5 milhões de euros" (4.º parágrafo a contar do fim). Deve ler-se: 4,5 mil milhões de euros.