Ennio Leanza / EPA

Muito perto do seu limite da capacidade de teste, a taxa de testes positivos e o declínio no crescimento mostra que o país pode estar perto de controlar a pandemia.

Os Estados Unidos têm pelo menos 839.675 pessoas infetadas com o novo coronavírus e, até esta quinta-feira, registaram-se 46.583 mortes. No entanto, vários indicadores apontam que há uma subcontagem e os valores podem, na verdade, ser maiores.

Nas últimas semanas, houve um aumento no número de norte-americanos a morrer em casa. Estas pessoas podem morrer de covid-19 sem que nunca se saiba, o que significa que não são testadas e, consequentemente, não são confirmadas como casos positivos. Assim, há claramente mais pacientes infetados que não constam nos números oficiais.

Através de uma estatística recolhida pelo Tracking Project do jornal The Atlantic, é possível estimar o número de pessoas que não constam nos números divulgados oficialmente, mas que estão infetadas com o novo coronavírus.

Quase uma em cada cinco pessoas que fazem o teste para o coronavírus nos Estados Unidos dão positivo. Por outras palavras, o país tem aquilo que é chamado de “taxa de testes positivos” de quase 20%. Este é um valor muito alto, explica o especialista em doença infecciosas da Universidade de Stanford, Jason Andrews.

Esta taxa é frequentemente usada para rastrear a propagação de doenças raras e mortais em locais onde a maioria das pessoas não pode fazer o teste. Além disso, pode até ser usada para calcular a contagiosidade de uma doença. O valor registado pelos Estados Unidos deixa o país atrás de muitas outras nações no combate contra a covid-19.

Se compararmos os Estados americanos com regiões de outros países vemos o mesmo padrão. Na Lombardia, a região mais afetada de Itália, a taxa é de 28% – comparável à de Connecticut. Mas se olharmos para Nova Iorque, o Estado mais abalado pela pandemia, a taxa encontra-se nos 41%. Há ainda cinco outros Estados com uma taxa de testes positivos superior a 20%: Michigan, Geórgia, Massachusetts, Illinois, e Colorado.

“Se quisermos interpretar [a taxa] como uma dica para a prevalência num local específico, devemos assumir que muitas outras coisas permanecem constantes”, disse Daniel Westreich, professor de epidemiologia na Universidade da Carolina do Norte. Ainda pouco é conhecido para retirar grandes conclusões, realçou o especialista.

“Ainda não testamos pessoas suficientes”, atirou. “Se estávamos a fazer uma triagem aleatória de toda a população, simplesmente não sabemos aquilo que vemos. Não sabemos quantos assintomáticos infetados existem por aí”. Como tal, aconselhou extrema cautela ao usar a taxa.

A alta taxa de casos positivos sugere também que os novos casos nos EUA só tenham atingido o pico porque o país atingiu o limite da sua capacidade de teste. Olhando pelo lado positivo, os EUA aproximam-se das 850 mil pessoas infetadas, mas o número de novos casos por dia parece estar em plateau ou até declínio.

Embora seja claro que o país não está a captar todos os casos, este declínio nos novos casos positivos pode sugerir que o país começou a controlar a propagação do vírus.

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