Christophe Petit Tesson / EPA
As doações para reconstruir Notre-Dame estão a multiplicar-se. Mesmo sem uma avaliação completa dos estragos e custos de reconstrução, já foram arrecadados mais de 600 milhões de euros para erguer das cinzas a Catedral parisiense. Emmanuel Macron aponta reconstrução de Notre-Dame em cinco anos.
Bettencourt-Meyers, Bernard Arnault e François-Henri Pinault são três das famílias mais ricas de França e do mundo que já anunciaram doações que ascendem aos 500 milhões de euros para a restauração da Catedral de Notre-Dame, em Paris, danificada por um incêndio que deflagrou durante a tarde de segunda-feira e a madrugada de terça-feira.
No entanto, o montante total das doações é superior a 600 milhões de euros. A companhia petrolífera francesa Total anunciou que iria disponibilizar 100 milhões de euros para a recuperação de Notre-Dame, um “donativo especial”, como descreveu Patrick Pouyanné, o presidente e diretor executivo da empresa.
A família herdeira do império L’Oréal, Betterncourt-Meyers, anunciou a doação de um total de 200 milhões de euros para a recuperação da Catedral e, do total doado, 100 milhões virão da Fundação Bettencourt Schueller – uma instituição dedicada ao mecenato na área das ciências da vida, cultura e solidariedade.
Por sua vez, também Bernard Arnault, dono do grupo LVMH (detentor da marca de luxo Louis Vuitton e Dior) e um dos homens mais ricos do país ofereceu 200 milhões para a reconstrução. O bilionário e a sua família afirmam-se “solidários com esta tragédia nacional” e dispostos a ajudar “na reconstrução desta Catedral extraordinária, um símbolo de França, da sua herança e da sua unidade”, cita a Associated Press.
François-Henri Pinault, diretor executivo do grupo Artémis (detentor da Kering, conglomerado de marcas de luxo como Gucci, Yves Saint Laurent e Balenciaga), e o pai, François Pinault, mecenas francês, tornaram também conhecida a sua doação de 100 milhões de euros na madrugada desta terça-feira.
Num comunicado assinado por François-Henri Pinault, lê-se que “esta tragédia tem impacto em todos os franceses” e que “toda a gente quer repor a vida desta jóia da nossa herança o mais depressa possível”.
Aos donativos destas famílias juntam-se ainda outros de menor monta, como as doações de Martin e Olivier Bouygues, herdeiros do grupo industrial com o mesmo apelido, que ofereceram dez milhões de euros através da holding SCDM.
A Câmara de Paris, através da presidente Anne Hidalgo, anunciou uma contribuição de 50 milhões de euros, com a autarca a avançar com outra medida. “Vou propor ao Presidente que organizemos juntos, nas próximas semanas, uma grande conferência internacional dos doadores com o objetivo de conseguir os fundos necessários para a restauração”, afirmou.
Do estrangeiro, o primeiro donativo chegou pelas mãos de Henry Kravis, co-fundador do fundo de investimento KKR, e da mulher Marie-Josée Kravis. Doaram 10 milhões de dólares, cerca de 8,85 milhões de euros.
A região de Île-de-France anunciou que também vai desbloquear dez milhões de euros para “ajudar a arquidiocese nos primeiros trabalhos” de reconstrução. Valérie Pécresse, presidente da região, anunciou esta terça-feira que a reconstrução, “obviamente muito cara, vai mobilizar todo um país, os melhores arquitetos, os melhores artesãos de França, talvez do mundo; vamos começá-la já”.
Nathalie Boy, presidente da Liga Francesa de Futebol (LFF), mobilizou-se também a favor desta causa, afirmando esta terça-feira que o futebol gaulês vai ajudar financeiramente na reconstrução, sem avançar um montante específico.
A população francesa também está solidária tendo-se mobilizado para recolher fundos para a reconstrução da Catedral de Notre-Dame.
Ainda assim, nem todas as doações são em dinheiro. Exemplo disso é a seguradora Groupama que anunciou que vai oferecer 1300 carvalhos, vindos das suas florestas na Normandia para a reconstrução da estrutura que sustentava o telhado da Catedral, respeitando “o trabalho dos companheiros da época”, lê-se num comunicado.
A Catedral de Notre-Dame é Património Mundial da UNESCO desde 1991. Assim sendo, segundo avança a BBC, a instituição das Nações Unidas também já se mostrou disponível para apoiar as obras de reconstrução. Todavia, ainda não se sabe se esta ajuda será monetária ou não.
Macron promete reconstruir Notre-Dame em 5 anos
O Presidente francês, Emmanuel Macron, fez uma declaração ao país a partir do palácio do Eliseu. No rescaldo do incêndio que afetou a Catedral de Notre-Dame, o líder voltou a frisar a união necessária para a reconstrução e disse ser possível ter o monumento pronto em cinco anos.
Com início marcado para as 20 horas locais (19 horas em Lisboa), Macron dirigiu-se ao povo francês, começando por, tal como tinha feito ontem à noite, agradecer o trabalho dos bombeiros que conseguiram “derrotar” o fogo que deflagrou na Catedral de Notre-Dame ao “tomar os mais extremos riscos”.
“O que vimos foi esta capacidade para nos mobilizarmos, para nos unirmos para vencer”, disse o chefe de estado, lembrando que o povo francês construiu “cidades, portos, igrejas” ao longo da sua história, sendo que “muitos arderam, foram destruídos”, mas que “de todas as vezes, foram reconstruidos”.
“O fogo de Notre-Dame lembra-nos que a nossa história nunca pára“, declarou.
Macron lembrou o grande número de doações que foram feitas nas últimas 24 horas, evocando o papel dos “ricos e dos menos ricos” ao dar dinheiro para ajudar à recuperação do monumento. “Cada um deu o que pôde, cada um no seu lugar, cada um com o seu papel.”
Foi devido a este apoio que, segundo o chefe de estado, será possível reconstruir uma Notre-Dame “mais bela”, revelando a vontade de que esta seja recuperada no espaço de “cinco anos“.
“Depende de nós encontrar a linha do nosso projeto nacional, aquele que nos fez, que nos une: um projeto humano, apaixonadamente francês”, disse o Presidente, antes de agradecer aos franceses e aos “estrangeiros que amam a França e Paris”, dizendo partilhar “a sua dor, mas também a sua esperança”.
Esta meta de cinco anos surge em desacordo com as perspetivas dos especialistas, que estendem o prazo de recuperação da Catedral para 10 a 15 anos. Um deles, Frédéric Létoffé, rejeitou as previsões a curto prazo, lembrando que antes do restauro vai ser necessário assegurar o que sobreviveu ao fogo e que isso passa, por exemplo, por criar condições para proteger o monumento dos elementos, como a chuva e o vento.
O incêndio na Catedral de Notre-Dame foi extinto ao fim de 14 horas de combate às chamas por parte dos bombeiros de Paris. O fogo consumiu toda a estrutura do teto e levou, inclusive, à queda do pináculo da catedral, mas poupou as torres do campanário norte e grande parte do espólio artístico que continha.
Os serviços de emergência estão atualmente “a examinar o movimento das estruturas e a extinguir os focos residuais”, procurando confirmar se as paredes em pedra aguentaram o calor e se a estrutura se mantém estável.
Este incêndio levou Macron a adiar a comunicação que faria esta segunda-feira à tarde com um pacote de medidas em relação às reivindicações dos coletes amarelos, fruto de uma digressão que fez pelo território francês a recolher sugestões por parte da população, naquilo que definiu como o ‘Grande Debate’ do país.
O presidente, contudo, voltou a não fazer referências a esta comunicação, dizendo que “o tempo ainda não chegou”, mas prometendo “voltar nos próximos dias para que possamos agir coletivamente como parte do nosso grande debate”.
A agência France-Presse, no entanto, já obteve um rascunho do discurso, no qual constam medidas como uma redução dos impostos da classe média e eliminação de alguns incentivos fiscais. No discurso, Macron também se compromete a estudar novamente o Imposto sobre Fortunas (ISF), cuja eliminação foi muito criticada.
[sc name=”assina” by=”LM, ZAP” url=”” source=”Lusa”]
...Moçambique (e outros lugares) está a ser ajudado mas, infelizmente, as doações estão a ser mal encaminhadas, "perdem-se pelo caminho"... Se não fosse isto, em nenhum lugar do Mundo haveria pessoas a morrerem de fome, de doenças e desabrigados...