Ian Langsdon / EPA
Emmanuel Macron
O Presidente francês, Emmanuel Macron, apelou na quinta-feira para que os incêndios na Amazónia sejam discutidos na cimeira do G7, que se realiza este fim de semana em Biarritz, no sudoeste de França, afirmando que esta se trata de uma “crise internacional”.
“A nossa casa está a arder. Literalmente. A floresta amazónica, o pulmão que produz 20% do oxigénio do nosso planeta, está em chamas. É uma crise internacional. Membros da cimeira do G7, vamos discutir esta emergência de primeira ordem em dois dias”, pediu o chefe de Estado na rede social Twitter, citado pela agência Lusa.
Na cimeira do G7, dos países mais industrializados do mundo, participam os líderes da Alemanha, Canadá, Estados Unidos da América, França, Itália, Japão e Reino Unido.
Também a Organização das Nações Unidas (ONU) está preocupada com os incêndios, devido aos danos imediatos e alterações climáticas, considerando na quinta-feira que a sustentabilidade desta floresta é “crítica para o bem-estar da humanidade”.
O porta-voz do secretário-geral da ONU, Stephane Dujarric, disse que a organização ainda não tem informações precisas sobre a causa dos incêndios que consomem a floresta amazónica há 16 dias, segundo a comunicação social, escusando-se a fazer comentários sobre a origem do desastre ambiental.
O porta-voz acrescentou que “a saúde destas enormes florestas é crítica para o bem-estar da humanidade” e contribui para a saúde em todo o mundo.
Ainda na quinta-feira, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, mostrou-se “profundamente preocupado” com os incêndios, onde se registaram, entre janeiro e 18 de Agosto, mais de 38 mil focos.
“Estou profundamente preocupado com os incêndios na floresta Amazónia. No meio da crise climática global, não podemos permitir mais danos a uma das mais importantes fontes de oxigénio e biodiversidade. A Amazónia deve ser protegida”, escreveu no Twitter.
A Amazónia é a maior floresta tropical do mundo e possui a maior biodiversidade registada numa área do planeta. Tem cerca de cinco milhões e meio de quilómetros quadrados e inclui territórios do Brasil, do Peru, da Colômbia, da Venezuela, do Equador, da Bolívia, da Guiana, do Suriname e da Guiana Francesa (território pertencente à França).
O número de incêndios no Brasil cresceu 70% este ano, em comparação com período homólogo de 2018, tendo o país registado 66,9 mil focos até ao passado domingo, com a Amazónia a ser o bioma (conjunto de ecossistemas) mais afetado.
Dados do sistema de monitorização por satélite chamado Deter, que é mantido pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais brasileiro (INPE) indicam que em julho a desflorestação da Amazónia aumentou 278% em relação ao mesmo mês do ano passado.
O INPE é o organismo do Governo brasileiro que monitoriza os dados sobre a desflorestação e queimadas no país.
Bolsonaro critica “mentalidade colonialista” de Macron
Depois de o Presidente francês ter apelado para que os incêndios na Amazónia fossem debatidos na cimeira do G7, o seu homólogo brasileiro Jair Bolsonaro partiu ao ataque, referiu a Rádio Observador, citando a agência Lusa.
“Lamento que o Presidente Macron procure instrumentalizar uma questão interna do Brasil e de outros países amazónicos para ganhos políticos pessoais. O tom sensacionalista com que se refere à Amazónia – apelando até com fotos falsas – não contribui em nada para a solução do problema”, escreveu no Twitter.
Jair Bolsonaro sublinhou que “o governo brasileiro segue aberto ao diálogo, com base em dados objetivos e no respeito mútuo”, dizendo ainda que a sugestão de Emmanuel Macron, de que assuntos amazónicos sejam discutidos no G7 sem a participação dos países da região, “evoca mentalidade colonialista descabida no século XXI”.
Já num vídeo em direto para as redes sociais, o Presidente brasileiro admitiu ainda a falta de meios disponíveis para combater os incêndios na região, lançando até críticas à sugestão do Ministério da Justiça e Segurança Pública de enviar 50 homens da Força Nacional para combater o fogo. “Não tem recurso. Agora, mandar 50 homens para lá, pelo amor de Deus, não tem cabimento. Ínfimo isso aí”, sublinhou.
O deputado brasileiro Eduardo Bolsonaro, filho do Presidente e indicado para assumir o cargo de embaixador nos Estados Unidos (EUA), partilhou na quinta-feira um vídeo no qual apelida de “idiota” o chefe de Estado francês, Emmanuel Macron.
“Recado para Macron”, escreveu no Twitter o terceiro filho de Jair Bolsonaro, numa publicação em que partilha um vídeo intitulado “França em Crise: Macron é um idiota”, da autoria de um ‘youtuber’ brasileiro.
Ao longo do vídeo, datado de dezembro de 2018, são mostradas imagens dos protestos dos “coletes amarelos” contra as políticas de Emmanuel Macron, enquanto o ‘youtuber’ Bernardo Küster, apoiante de Jair Bolsonaro, tece insultos à figura do chefe de Estado francês, assim como à sua forma de governar.
Ajuda internacional a chegar
O Presidente chileno, Sebastián Piñera, ofereceu “dois ou três aviões” para ajudar no combate aos fogos na região e o Presidente argentino, Mauricio Macri, revelou ter conversado com Jair Bolsonaro para se informar da situação dos incêndios e para pôr à disposição do Brasil e da Bolívia a cooperação argentina. “Estamos comprometidos a ajudar os nossos vizinhos a combater os incêndios florestais”.
Horas depois, Sebastían Piñera informou nas redes sociais que “também falou com o Presidente da Bolívia, Evo Morales, para lhe oferecer colaboração”. Esta disponibilidade para a Bolívia ajudar tem ainda mais peso porque os dois países mantém uma tensa e distante relação, devido a disputas territoriais.
A situação na Bolívia é igualmente devastadora: 744 mil hectares e 1.817 famílias que vivem na região de Chiquitania, no leste do país, foram já atingidas pelo fogo.
A Venezuela, que também tem floresta amazónica, ofereceu a sua “modesta ajuda” no combate aos incêndios. O governo de Nicolás Maduro expressou “profunda preocupação” com a situação na região.
À semelhança do que tem acontecido nos últimos dias, Jair Bolsonaro voltou a lançar críticas às organizações não governamentais (ONG), argumentando que estas não trabalham para o bem do Brasil, mas “para quem paga”.
“Esses países não mandam dinheiro por caridade. Espero que dê para entender isso daí. Mandam com interesse. Para atingir a nossa soberania”, afirmou. Antes, questionado se os fazendeiros poderiam estar na origem das queimadas, respondeu: “Pode, pode ser fazendeiro, pode. Todo mundo é suspeito, mas a maior suspeita vem de ONGs”.
E acrescentou: “Devemos dar uma reposta para o mundo e mostrar que somos responsáveis e maiores para dizer que a Amazónia é nossa. Caso contrário, vocês sabem o que pode acontecer”.
Colômbia propõe projeto de prevenção
Na quinta-feira, a Colômbia propôs aos homólogos do Brasil, Bolívia, Equador e Peru a realização de um “projeto conjunto” de prevenção face à catástrofe ambiental que se gera na zona brasileira da Amazónia.
“Propomos a realização de um projeto conjunto para avançar com a prevenção dos incêndios florestais na Amazónia e construir uma agenda conjunta para fazer face aos efeitos das alterações climáticas, da desflorestação e da degradação dessa zona”, disse o ministro colombiano do Ambiente, Ricardo José Lozano, em conferência de imprensa.
Para este projeto, afirmou que “já tem resultados muito bons na luta contra a desflorestação” e lembrou que o país registou 197.159 hectares de áreas desflorestadas de bosques naturais no ano passado, o que supõe uma redução de 22.814 hectares face aos 219.973 de 2017.
O projeto proposto pela Colômbia inclui “empreendimentos com comunidades locais, prevenção e pactos para as florestas nas quais a comunidade concorda em não realizar práticas proibidas em épocas de seca como o mês de agosto”, exemplificou o governante sul-americano.
Marcelo “profundamente sensibilizado”
O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, solidarizou-se na quinta-feira com o Estado e o povo do Brasil devido aos incêndios na Amazónia, mostrando-se “profundamente sensibilizado pela tragédia ambiental” que representam.
“O Presidente da República, como qualquer cidadão do Mundo, não pode ficar indiferente a estes incêndios que continuam a devastar um ‘pulmão’ do planeta”, referiu uma nota publicada na página da Presidência da República. O chefe de Estado fez “votos para que, com a brevidade possível, seja possível” pôr cobro a estes incêndios.
“O ambiente e a emergência que representam as alterações climáticas têm de ser cada vez mais uma preocupação central e comum da Humanidade”, alertou.
Fim de semana marcado por manifestações
A situação na Amazónia levou também a que fossem organizadas várias manifestações em defesa da preservação da região, um pouco por todo o mundo. No Brasil são pelo menos dez cidades com protestos agendados: São Paulo, Santos, Rio de Janeiro, Curitiba, Salvador e Atalanta esta sexta-feira e em Belo Horizonte, Manaus, Ribeirão Preto, São Carlos, Natal e Porto Velho este sábado.
No domingo, há também manifestações agendadas para algumas capitais europeias: Londres, Paris, Madrid, Lisboa e Dublin.
[sc name=”assina” by=”TP, ZAP”]
Tanta hipocrisia junta! Tanta ajuda, mas ninguém ajuda! Todos falam e nenhum faz! Anda tudo profundamente abalado! Esse franciu.... Tavas melhor calado! Hipócrita.