Manuel Fernando Araújo / Lusa

Rua de Santa Catarina, no Porto.

Numa altura em que a segunda vaga chegou a Portugal, a região Norte tem sido a mais afetada. A maior parte dos casos diários são residentes nesta zona e o número de mortes também tem vindo a crescer.

O elevado número de casos no país começou a surgir em outubro, mas ainda assim a incidência de infeções foi surgindo em velocidades distintas. Uma regiões onde o número de casos está a ser mais preocupante é no Norte – onde só ontem, mais de 60% dos casos foram registados lá. Este panorama negativo tem-se vindo a estabilizar ao longo das últimas semanas.

Como diz Óscar Felgueiras “a região Norte teve uma fase de crescimento quase explosivo no início de outubro. Agora está numa aparente estabilização, mas com uma incidência elevadíssima e absolutamente insustentável devido à afluência aos hospitais”, defende o professor da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto

É na região Norte que está a maioria dos 28 concelhos com risco extremamente elevado. Segundo os dados do Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC), o Norte de Portugal é agora uma das 20 piores regiões na Europa, com uma incidência de 1298 novos casos por 100 mil habitantes a 14 dias, acima das regiões que abrangem Milão (1146), Paris (580) ou Madrid (353), algumas das mais afetadas.

Paços de Ferreira e Lousada, que têm as situações mais graves do país, atingiram uma proporção de casos “absolutamente invulgar”, diz o especialista da UP.

Ainda assim, a situação da região Centro

também começa a ser preocupante. Metade dos 77 municípios que entraram esta semana para a lista de risco elevado situam-se nesta região, onde em duas semanas o número de novos casos por 100 mil habitantes subiu 60%.

As cidades da Guarda, Covilhã e Aveiro estão entre as que merecem maior preocupação. O delegado de saúde regional do Centro, João Pero Pimentel, explicou ao Expresso que  “na região Centro, o padrão epidemiológico revela a existência de um elevado número de surtos de pequena e média dimensão, o que indicia a existência de cadeias de transmissão familiares, quase sempre associadas a refeições e momentos de convívio”.

Ao contrário do que aconteceu na primeira fase da pandemia, alguns municípios como o Alentejo e o Algarve estão também a ter um número elevado de novos casos nas últimas duas semanas. O Governo considera que os municípios estão em elevado risco de contágio.

Tavira, Portimão, Faro ou Lagos já são também consideradas zonas “vermelhas”. No Alentejo, o cenário está também a agravar-se, com mais 18 concelhos em situação de risco, como é o caso de Portalegre, Elvas, Évora, Campo Maior ou Monforte. Para já, apenas os Açores e a Madeira continuam a ser zonas de baixo risco.

A região de Lisboa mantém-se com uma incidência muito elevada, ainda que abaixo de 600 novos casos por 100 mil habitantes. Setúbal, Lisboa, Cascais, Odivelas, Vila Franca de Xira e Loures ocupam as piores posições.

O volume de casos a nível nacional é agora 6 vezes maior do que na primeira onda. Portugal é, neste momento, o 10º país da Europa com maior crescimento da pandemia.

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