O ex-porta-voz do Chega, Sousa Lara, explica que a direcção do partido o colocou “entre a espada e a parede” por causa da subvenção vitalícia de 1.343 euros a que tem direito. “Ninguém me dá tau-tau”, refere, justificando a demissão e deixando um aviso a André Ventura.
Sousa Lara tem direito a uma subvenção vitalícia de 1.343 euros depois de ter sido deputado na Assembleia da República por vários partidos. E preferiu demitir-se do Chega a prescindir do direito que lhe assiste e que não está, neste momento, a receber, por ser professor catedrático.
“Eu não sou contra a possibilidade de vir a receber. É um direito que decorre de uma lei que está aprovada em Portugal. E acho que já fui penalizado pelo Estado português em questões fiscais e em questões de roubalheira”, diz Sousa Lara em entrevista à Rádio Observador.
Sousa Lara assume que foi “posto entre a espada e a parede” por causa dessa subvenção numa “reunião da comissão política”, com o próprio André Ventura a vincar o facto de “não concordar com a existência de subvenções vitalícias dadas a políticos”.
“Ninguém me dá tau-tau. Fui apanhado à meia-noite e tal de surpresa, depois de me terem sido perguntadas outras coisas. Fui posto entre a espada e a parede. Pedirem-me ‘8 ou nulos’, comigo, dá sempre mau resultado”, aponta Sousa Lara na entrevista, justificando assim porque preferiu demitir-se.
Apesar da demissão, Sousa Lara nota que continua a apoiar o Chega e que mantém a expectativa de que o partido cumpra o “papel histórico” de “endireitar a direita”, com os valores da “pátria”, da “família” e da “moral” na agenda.
“Já fui candidato pelo CDS, pelo PPM, pelo PSD, pelo Chega. A minha lógica é uma lógica de direita. Eu tenho a visão dos partidos como um instrumento. Para mim são ferramentas ao serviço de qualquer coisa, que é aquilo que eu acho que configura o interesse do país”, considera Sousa Lara.
Quanto à eventual corrida de André Ventura à Presidência da República, o ex-porta-voz do Chega entende que “é uma atitude de risco” e “é um risco excessivo neste momento”, alerta.
Para Sousa Lara, “o Chega devia ter um candidato militar”, o que “é uma coisa que está proibida”. “Nós fomos controlados pelos militares depois do 25 Abril. O Chega tinha aqui a oportunidade de chamar um militar na reserva, reformado”, salienta, notando que já tem um nome na cabeça, mas que não o revela, e frisando que a “ideia” é que seja um nome “provocatório”.
[sc name=”assina” by=”ZAP”]
O Homenzinho sabe ser muito selectivo, não concorda em prescindir da subvenção que o seu partido quer abolir, mas quer continuar a apoia-lo !......... Bem ....é uma espécie de contra-senso !...Estes partidecos ainda não acabaram de nos surpreender com estas tribulações internas. A Joacine já se vai sentir menos só !