Tiago Petinga / Lusa
O Presidente da República apelou esta segunda-feira à unidade no essencial na resposta à crise provocada pela covid-19, com equilíbrio entre proteção da vida e da saúde e da economia, e sem dramatização a mais nem a menos.
Marcelo Rebelo de Sousa deixou esta mensagem na cerimónia comemorativa do 110.º aniversário da Implantação da República, no Salão Nobre dos Paços do Concelho, em Lisboa, defendendo que é preciso “continuar a compatibilizar a diversidade e o pluralismo com a unidade no essencial”.
“O que nos diz este 5 de Outubro é que temos de continuar a resistir, a prevenir, a cuidar, a inovar, a agir em liberdade, a saber compatibilizar a diversidade com a convergência no essencial, a sobrepor o interesse coletivo aos meros interesses pessoais”.
O chefe de Estado referiu que “há quem prefira soluções para o estado de exceção sanitária que sacrificariam drasticamente economia e sociedade” e “há quem prefira soluções para a economia e sociedade que aumentariam riscos para a vida e saúde”.
“Há quem proponha tempos e modos diferentes, do lado da vida e da saúde, como do lado da economia e da sociedade. Esta diversidade é democrática, e é por isso respeitável. Procuremos respeitá-la, buscando a convergência no essencial, evitando quer o excesso de dramatização, quer o excesso de desdramatização dos dois lados”, acrescentou.
Na mesma intervenção, o chefe de Estado recorda que Portugal vive um dos momentos mais difíceis em democracia, mas avisa que é essencial “continuar a agir em liberdade”, porque “não queremos ditaduras em Portugal”. “Sabemos que ditaduras por este mundo fora não resolveram esta crise e, porventura, nem sempre a assumiram com tempo nem com transparência”, acrescentou Marcelo Rebelo de Sousa.
Recordando os últimos meses, em que a pandemia assolou Portugal, o Presidente da República frisa que este 5 de outubro é “dos mais difíceis e exigentes, senão o mais sofrido de 46 anos de democracia”, até porque “ninguém sabe quando terminará a pandemia” e “a recuperação económica demorará anos”.
“Tudo isto [pandemia] que tem sido, que é, que vai ser a nossa luta este ano, para o ano, nos anos mais próximos, o que nos diz o 5 de Outubro, o 25 de Abril, o 1º de dezembro, o 10 de junho, os momentos em que assinalamos a vontade dos portugueses de vencerem desafios que se diriam invencíveis”, disse.
Numa altura em que o Tribunal de Contas – cujo presidente não foi reconduzido – adverte que as novas regras do Governo para a contratação não são transparentes, Marcelo Rebelo de Sousa destaca ainda que o caminho do país deve ser “sempre em conformidade com a ética republicana, que repudia compadrios, clientelas, corrupções“.
Marcelo voltou ainda a deixar um apelo aos responsáveis políticos em tempo de pandemia: “É preciso sobrepor o interesse coletivo aos interesses individuais”, sem alarmismos.
Medina pede “coragem” contra “crise artificiais”
Já o presidente da Câmara Municipal de Lisboa pediu que todos assumam “a coragem da responsabilidade” da resposta à situação difícil do país, sem “crises artificiais”.
No seu discurso nas cerimónias comemorativas do 5 de Outubro, Fernando Medina elogiou a “visão estratégica e o rumo” escolhidos pelo Governo para responder “de forma inclusiva, ecológica e socialmente responsável” à segunda crise no espaço de uma década.
“Para que isso aconteça é necessário que o país se mantenha focado no essencial. Ninguém entenderia que, num país ainda marcado por feridas da última crise, alguns preferissem uma crise artificial à responsabilidade da resposta à vida de milhões de portugueses”.
O autarca da capital considerou que, quem num passado recente, afirmou que era possível outra política económica “tinha razão”. “Mas ter razão não basta. É preciso, quando confrontado com as suas responsabilidades, assumir a coragem da sua responsabilidade”.
Medina discursava perante o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, o presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues, o primeiro-ministro, António Costa, três dos quatro presidentes dos tribunais superiores.
O presidente do Tribunal Constitucional, Manuel Costa Andrade, não compareceu por ainda aguardar o resultado do teste à covid-19, depois de ter participado no Conselho de Estado de terça-feira com António Lobo Xavier, que testou positivo ao vírus.
Os testes de diagnóstico de infeção com o novo coronavírus realizados no domingo pelo chefe de Estado, pelo presidente da Assembleia da República e pelo primeiro-ministro, António Costa, deram negativo, e os três estão presentes nesta segunda-feira nas cerimónias do 110.º aniversário da Implantação da República.
Estiveram ainda na cerimónia, que este ano decorreu com restrições devido à pandemia, o vice-presidente João Paulo Saraiva e os vereadores Teresa Leal Coelho (PSD), João Gonçalves Pereira (CDS-PP), João Ferreira (CDU) e Manuel Brito (BE).
Ao contrário do que tem sido habitual nos últimos anos, os discursos decorreram no interior dos Paços do Concelho, no Salão no Nobre, e não na Praça do Município.
[sc name=”assina” by=”ZAP” source=”Lusa” ]
Do pouco que ouvi do P.R. penso que o Sr. Marcelo se equivocou na data. Hoje não é 25 de abril! Hoje é 5 de outubro, e hoje comerora-se o resultado político do duplo regicídio de 1 de fevereiro de 1908. É claro que hoje nada há para comemorar! O P. R. falou nas ditaduras, ora como toda a gente sabe, a ditadura nada tem que ver com a República ou com a Monarquia. Ou será que o P. R. quer dizer que a Espanha, R. U., Bélgica, Holanda, Dinamarca, Noroega, Suécia, Luxemburgo e outros pequenos principados, são ditaduras?! Será que o nosso P. R. se esqueceu dos assassinatos durante a denomidada primeira república? E será que se esqueceu do Estado Novo vigente na segunda república? Com certeza que o nosso P. R. sabe disso tudo, então porquê falar da ditadura no aniversário da implantação da república? Porque hoje não há nada para comemorar, ou então quando acordou pensou que estava no dia 25 de abril!!