Mário Cruz / Lusa
Esta quinta-feira, na Comissão Política Nacional do PS, o primeiro-ministro, na pele de secretário-geral do PS, fechou o tema presidenciais e lançou a primeira lista do programa de estabilização económica e social que irá apresentar aos partidos na próxima semana.
As presidenciais não entraram nos temas do discurso de António Costa durante a Comissão Política Nacional do PS, esta quinta-feira. Para o secretário-geral do PS, é fundamental que o partido esteja somente focado no combate aos efeitos da pandemia, avança o Expresso.
Falar com todos, de “cabeça fria” e “nervos de aço”, é a prioridade, que se consubstancia em apenas duas prioridades: a estabilização da economia, nos próximos meses, e o plano de retoma, que não será apresentado antes do verão.
“Devemos fazer um esforço para procurar manter o consenso político e social”, disse António Costa, apelando ao clima de paz política. “Temos de ter a humildade que por muita força que o PS tenha, precisamos de todos os partidos, todos os parceiros para este caminho nos próximos anos. Soubemos unir-nos contra o vírus, temos de nos unir contra a crise e o desemprego.”
Deixando o otimisto de parte, Costa focou-se em ser realista, e “sendo realista, o que tenho a dizer-vos é que a minha convicção é que vamos ter dois anos muito duros de luta e combate”.
A primeira tarefa é lançar o Plano de Estabilização Económica e Social (PEES) para responder às dificuldades do período de abertura, porque não “basta abrir uma loja ou um restaurante” para que tudo volte à normalidade. “A vida é assim, ninguém esperava, mas nestes momentos temos de manter cabeça fria, nervos de aço e determinação para enfrentar o que temos de enfrentar”, declarou.
O plano será debatido na próxima semana com os partidos com assento parlamentar, de modo a que possa estar traduzido na segunda quinzena de junho, no Orçamento Suplementar. O programa divide-se em quatro pilares fundamentais, que englobam algumas medidas e “pequenas obras” que serão imprescindíveis para estabilizar a economia.
O primeiro é destinado a “agilizar os procedimentos necessários para que Estado, autarquias ou empresas possam investir com segurança, com transparência, mas sem burocracia”. “Por isso, nesta fase, precisamos de um ‘Simplex SOS
‘ que auxilie os processos de investimento e de resposta às necessidades desta crise”, disse o governante.O segundo pilar foca-se no apoio às micro-empresas, por terem sido as mais atingidas pela crise.
O terceiro passo está relacionado com o emprego e tem como objetivo manter as medidas de apoio ao emprego com a reinvenção de mecanismos de apoios e, sobretudo, para ajudar os jovens que no espaço de uma década foram atingidos pela crise. Além disso, lançar um programa de formação e qualificação direcionada nomeadamente para o digital.
Por último, o quarto pilar social surge com o reforço do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e a abertura do próximo ano letivo, com garantia de “universalidade de acesso ao ensino à distância” e com a distribuição de computadores para os alunos.
O semanário destaca que, nestes pilares, entram ainda algumas obras que António Costa quer fazer: retirar definitivamente o amianto de todas as escolas, aproveitando que agora estão fechadas; avançar para a “construção de faixas de gestão de combustível nas florestas”, para ajudar no combate aos incêndios rurais; e recuperar o atraso nos programas de acessibilidades para as pessoas com deficiência.
Estas medidas “não podem estar à espera do programa de retoma da economia” e são “essenciais” para esta fase. O plano de retoma da economia deverá ser apresentado no verão, “quando tivermos mais claro que poderemos então com credibilidade ter um verdadeiro programa de relançamento da economia”.
As presidenciais e a substituição de Mário Centeno, atual ministro das Finanças, não tiveram lugar nos tópicos abordados na noite desta quinta-feira. Foi uma finta que António Costa conseguiu executar.
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A cabeça fria não tem abundado. Tem andado um bocado quente nos últimos tempos. Deve ser do entusiasmo do desconfinamento ou do calor da primavera. É provável que aqueça ainda mais com os fogos que aí vêm.