Os Neandertais, espécie já extinta, partilham com os humanos atuais 99,7 % do seu ADN. Contudo, as duas espécies apresentam diferenças morfológicas significativas. Agora, um novo estudo vem agora revelar que os bebés Neandertais tinham uma caixa torácica muito mais poderosa do que a do homem moderno.
Um estudo desenvolvido por investigadores do Conselho Superior de Pesquisa Científica (CSIC) e do Centro Nacional de Pesquisa em Evolução Humana (CENIEH) mostra que os indivíduos da espécie humana extinta, tinham um tórax largo e em forma de “barril” desde o seu nascimento, e que este era capaz de suportar o elevado gasto de energia que os Neandertais precisavam no seu dia-a-dia.
Esta conclusão implica que esta característica, agora descoberta, era determinada geneticamente e não resultava do desenvolvimento natural. Os especialistas, que publicaram o estudo na revista Science Advances a 7 de outubro, acreditam que esta caraterística morfológica foi herdada de espécies anteriores, como o Homo Erectus.
Segundo o ABC, comparado com o tórax dos humanos modernos, o dos Neandertais adultos era mais curto, ligeiramente mais profundo, e muito mais largo. Essas características estão relacionadas com o seu corpo gordo, com uma pélvis larga, ossos robustos e uma densa musculatura.
Também está relacionado com o metabolismo da espécie, que precisava de muita energia e oxigénio para executar as suas tarefas diárias. A novidade que surge com o estudo, é que até agora não se sabia se essas diferenças, entre os humanos atuais e os Neandertais, eram estabelecidas no nascimento, ou seja, eram genéticas.
Daniel García Martínez, autor principal do estudo, e a sua equipa, usaram ferramentas de reconstrução virtual para reproduzir, pela primeira vez, a forma do tórax de quatro crianças Neandertais com 1 a 2 semanas de idade, menos de 4 meses, um ano e meio e dois anos e meio. Os restos mortais chegaram da Rússia, de França, e da Síria.
Asier Gómez-Olivencia, co-autora do artigo, explica que o trabalho foi difícil pois “as costelas e as vértebras costumam aparecer fragmentadas no registo fóssil, o que tradicionalmente dificulta os estudos”. “Agora, os resultados mostram que a caixa torácica dos recém-nascidos Neandertais eram diferente da nossa espécie
. Era mais profunda, mais curta e mais larga do que o do homem moderno”, explicou a cientista.De acordo com equipa de cientistas, esta descoberta vai juntar-se a outras que tinham vindo a ser divulgadas sobre os Neandertais, pois os bebés desta espécie também viam a luz com diferentes cérebros e mandíbulas. Esta é mais uma caraterística que mostra que as diferenças entre as espécies humanas já estão presentes desde o nascimento, acentuando-se apenas ligeiramente durante o crescimento dos indíviduos.
No entanto, as semelhanças dos Neandertais, em relação à forma e ao desenvolvimento do tórax de outras espécies humanas – como o Homo Erectus – fazem com que os especialistas acreditem que a sua fisionomia não se tratava apenas de uma herança genética, mas pode estar também relacionada com o nível evolutivo.
“A morfologia dos Neandertais compartilhada com o Homo Erectus, é uma outra caraterística provavelmente relacionada com a alta necessidade de energia das duas espécies, já que os bebés Neandertais também possuíam uma grande abertura nasal”, explica o investigador Markus Bastir.
Para já, a equipa de cientistas vai continuar o estudo no que diz respeito a este assunto pois, de acordo com García Martínez, “ainda há um longo caminho a percorrer no estudo da evolução do tórax humano”.
[sc name=”assina” by=”ZAP” ]
Importante descoberta, alem de terem maior caixa craneana , tinham também maiores pulmões, e eram mais fortes que nós. E tudo isso geneticamente!
Como desapareceram e nos não?
Um dia talvez saibamos!