RTP / Flickr

Murteira Nabo em entrevista à RDP/Antena 1.

A culpa de Zeinal Bava na Portugal Telecom (PT) foi aceitar “a estratégia definida pelos accionistas”, considera Murteira Nabo, o ex-presidente da telefónica, que não põe as mãos no fogo pelo gestor que ele próprio contratou. “Não sei se é corrupto, nem quero saber”, diz.

Declarações proferidas numa entrevista ao programa da TSF “A Vida do Dinheiro”, onde Francisco Murteira Nabo, ex-ministro e ex-presidente da Galp e da PT, aborda a realidade recente da empresa de telecomunicações, em particular o papel de Zeinal Bava nas decisões que levaram ao seu colapso.

Murteira Nabo assume que não sabe se Bava é responsável pelos crimes de corrupção de que o acusam, no âmbito da Operação Marquês, mas, em termos de gestão, considera que ele é, no fundo, uma vítima das decisões dos accionistas da PT.

Não sei se é corrupto, nem quero saber“, nota o ex-ministro citado pela TSF.

“A estratégia foi errada e o Bava foi apanhado por isso. Se sabia, ou se não sabia, não sei dizer”, acrescenta.

“O grupo empresarial PT definiu estratégicas que a levaram à venda da Vivo. Ora uma empresa que vende uma subsidiária que representa 60% do volume de vendas e 40% dos lucros, que tem 55 milhões de clientes, e que fica sem o dinheiro e sem a indústria, o que é que quer que aconteça?”, questiona Murteira Nabo.

Sublinhando que Zeinal Bava, que foi contratado por ele para a PT, “era um excelente profissional”, Murteira Nabo conclui que “como gestor, o erro que terá cometido é ter aceite uma estratégia ruinosa para a empresa“.

“A culpa não é dele, é dos accionistas que decidiram uma política de dividendos altos e redução dos investimentos”, prossegue o ex-presidente da PT.

“Não deixava o BES apodrecer tanto”

Recentemente designado para o Conselho Consultivo do Banco de Portugal, Murteira Nabo também fala das decisões tomadas pelo órgão supervisor e pelo governo, no âmbito da crise financeira que vem assolando o sector bancário nacional.

Para o ex-ministro, o “Banco de Portugal e o Governo” cometeram “um erro” quando se detectou que “a banca estava cheia de imparidades, que o país e as empresas estavam endividados” e não se fez como na Irlanda e em Espanha, ou seja, “criar um banco mau”.

Empurrámos o assunto com a barriga, convencidos que se resolveria. Mas não resolveu, e o que aconteceu foi termos bancos a cair ao longo dos tempos”, destaca Murteira Nabo.

O ex-presidente da PT acrescenta que o governo de António Costa está também, “a empurrar com barriga alguns problemas estruturais, que não se podem resolver ou não se querem resolver”.

Não vale a pena pensar que há milagres na economia, pois não há“, avisa.

Sobre a queda do BES, o ex-ministro assume que, no lugar do Governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, teria “decidido mais cedo”. “Não deixava apodrecer tanto”, destaca numa clara crítica à actuação do dirigente do órgão supervisor.

[sc name=”assina” by=”ZAP” source=”” ]