Hugo Delgado / Lusa

O primeiro-ministro rejeitou passar o recolher obrigatório das 13:00 para as 15:00 nos dois próximos fins de semana, como defende o setor da restauração, alegando que essa medida visa precisamente travar convívios sociais ao almoço.

“Isto é duro de dizer, mas temos mesmo de evitar esses grandes convívios à hora de almoço e daí a decisão de limitar às 13:00” o período de abertura da generalidade dos estabelecimentos comerciais dos concelhos com maior incidência de covid-19, respondeu António Costa, em declarações aos jornalistas em São Bento.

O primeiro-ministro falava à comunicação social depois de ter recebido o líder da Confederação Europeia de Sindicatos (CES), Luca Visentini.

António Costa referiu que, quando o seu executivo definiu o calendário das medidas de limitação de circulação a aplicar nos concelhos mais atingidos pela epidemia, “ponderou muito bem se devia ser às 13:00 ou às 15:00” a hora limite.

Não foi por acaso que escolhemos as 13:00, porque temos precisamente em conta aquilo que todos os inquéritos epidemiológicos nos dizem: 68% das transmissões estão a correr neste momento em momentos de convívio familiar e social”, justificou.

Cerca de 70% dos caso de covid-19 registados em Portugal ocorrem em contexto familiar, estimou esta quarta-feira a diretora-geral da Saúde, que desaconselhou refeições com amigos ou familiares que não são do agregado familiar.

Cerca de 68% a 70% dos casos [de covid-19] ocorram em convívio familiar ou social”, disse esta quarta-feira Graça Freitas, na habitual conferência de imprensa sobre a situação epidemiológica em Portugal. “Há um momento crítico nos convívios familiares que é o momento das refeições e de ingestão bebidas. É um momento de grande descontração e proximidade e em que não estamos a usar máscara. É um momento crítico de contágio”.

Graça Freitas deixou ainda um apelo para que os portugueses façam as suas refeições “apenas com o núcleo familiar” que vive na mesma casa.

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