Câmara Municipal de Leiria

A autarquia de Leiria construiu um muro de dois metros de altura à volta de um bairro social, onde moram maioritariamente famílias de etnia cigana.

No Bairro Social da Integração habitam 47 pessoas, cujas 18 casas foram recentemente renovadas pelo município. De acordo com o Jornal de Notícias, o muro, que separa o bairro das vivendas e tapa a vista, está a gerar descontentamento entre os moradores.

“Dizem que nos temos de integrar na sociedade, mas construíram aqui um muro de Berlim. Deste lado, são os ciganos, dali são as vivendas. É o nosso muro da vergonha“, disse Sandra Mafra ao JN. “Sinto falta de ar”, contou a mãe, Júlia, que acrescentou que até fica “afrontada a olhar para isto”.

Além de isolar o bairro, o muro criou problemas ao nível da circulação automóvel, já que ocupa o espaço destinado às faixas de rodagem e “rouba” lugares de estacionamento. Além disso, com o muro a isolar o bairro do resto do município, existe apenas um caixote do lixo para 18 habitações.

Os habitantes do bairro, que são, na sua maioria, feirantes, queixa-se também do facto de o muro ser demasiado alto e as carrinhas onde transportam as roupas que vendem nas feiras e mercados roçarem no muro na zona da curva, onde já se veem marcas de tinta dos carros.

Confrontada pelo JN, a vereadora do Desenvolvimento Social da Câmara de Leiria, Ana Valente, disse que a construção do muro se prende com a “necessidade de definir os limites do terreno com os terrenos adjacentes”.

Segundo nota publicada pela autarquia no seu site, “o Muro não isola Pessoas. Ao contrário do que refere a notícia, não existem vivendas do outro lado do muro. O que existe é um terreno baldio florestal, que não oferece condições de segurança”.

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