Tânia Rego / Agência Brasil
Uma mulher foi morta pelo marido na noite de quarta-feira em Vieira do Minho, distrito de Braga, com o suspeito a entregar-se às autoridades.
“Tratou-se de um homicídio de uma mulher num quadro de violência doméstica. O marido entregou-se às autoridades e está detido”, disse fonte da GNR. “A Polícia Judiciária foi chamada ao local e está a investigar a ocorrência”, acrescentou a fonte da GNR.
A vítima, Ana Paula Fidalgo, não apresentava “sinais de violência externa”, acredita-se que tenha sido estrangulada pelo marido, de acordo com o Diário de Notícias. O crime terá ocorrido por volta das 21h30 horas. O suspeito ainda se colocou em fuga depois do homicídio, mas passado pouco tempo deslocou-se ao posto da GNR de Braga “pelos seus próprios meios” para confessar o mesmo.
Albino Carneiro, presidente da associação de bombeiros de Vieira do Minho, disse ao DN que o casal já teria um historial de “desentendimentos”. A GNR, contudo, não tem nos seus registos qualquer histórico em relação ao casal em causa.
De acordo com o Diário do Minho, o casal e os dois filhos menores tinham regressado a Portugal há pouco mais de um ano, depois de terem estado emigrados em Londres. Encontravam-se a viver em Vieira do Minho, onde eram proprietários do restaurante “Refúgio do Gerês”. De acordo com o mesmo jornal, o crime estará relacionado com questões passionais.
Também esta quarta-feira, umas horas antes, a Polícia Judiciária deu conta que estava a investigar o caso de uma mulher morta com recurso a uma arma branca em Corroios, no concelho do Seixal. O caso ocorreu pelas 19h25 .
“Todos os indícios apontam para um homicídio, com recurso a uma arma branca, de uma mulher com 47 anos, em Corroios. A vítima foi encontrada na zona do hall, já no interior de um prédio”, disse à Lusa fonte do comando nacional da PSP.
O número de vítimas de violência doméstica volta, assim, a subir para 12 vítimas em 2019. Ao longo de todo o ano de 2018 morreram 28 mulheres vítimas de violência em contexto doméstico, segundo a UMAR (União de Mulheres Alternativa e Resposta).
Esta quinta-feira assinala-se o primeiro dia de luto nacional pelas vítimas de violência doméstica. O dia de luto nacional serve, segundo Mariana Vieira da Silva, ministra da Presidência e da Modernização Administrativa, que fez a proposta ao Conselho de Ministros, para consciencializar sobre o problema e homenagear as vítimas.
Esta quinta-feira, após participar no debate quinzenal, na Assembleia da República, o primeiro-ministro estará a meio da tarde numa reunião de trabalho do Governo com a comissão técnica multidisciplinar para a melhoria da prevenção e combate à violência doméstica.
Depois, António Costa fará uma intervenção na cerimónia pública de assinatura de protocolos para o reforço dos gabinetes de atendimento a vítimas de violência de género.
Marcelo assinala luto em Angola
O Presidente da República assinalou em Luanda o luto nacional pelas vítimas da violência doméstica, reiterando que Portugal tem um problema de cultura cívica a enfrentar, que abrange sectores-chave, de acordo com o Público.
Na quarta-feira, em Luanda, onde iniciou uma visita de Estado a Angola, o chefe de Estado fez questão de assinalar este dia de luto, durante uma aula-debate na Faculdade de Direito da Universidade Agostinho Neto, afirmando que “é uma chamada de atenção, é simbólico, mas a ideia é mobilizar as pessoas”.
“Portugal terá um dia de luto nacional precisamente como protesto pelo facto de, nos primeiros meses deste ano, termos assistido ao que aparenta ser, e espero que não seja, uma escalada em termos de violência doméstica, e concretamente de violência sobre mulheres”, referiu.
“A violência tem de ter um fim”
O primeiro-ministro afirma que a violência doméstica tem de ter um fim e salienta que o combate a este fenómeno é um desafio coletivo da sociedade e que a evocação das vítimas constitui um começo da ação.
Estas posições constam de duas mensagens publicadas, esta quinta-feira, por António Costa no Twitter, escreve o Jornal de Notícias.
Segundo o primeiro-ministro, “as grandes tragédias exigem-nos a partilha da dor coletiva pelo luto da nação”. “A violência doméstica é uma grande tragédia que assinalamos com o luto nacional, evocando na perda das vidas e no sofrimento das vítimas que não aceitamos viver numa sociedade que silencia e que ignora“, sustenta António Costa.
“A violência tem de ter um fim e este é um desafio coletivo de toda a sociedade e de cada um de nós. Evocar as vítimas é começar a agir“, conclui.
João Cravinho, ministro da Defesa, citou o tweet do primeiro-ministro para acrescentar que é um dia que serve para lembrar “dever coletivo de limpar a nossa sociedade do flagelo que é a violência doméstica”.
[sc name=”assina” by=”MC, ZAP” ]
Estamos a viver uma psicose coletiva ou quê? O crime de Vieira do Minho, não configura uma situação de violência doméstica, mas um crime de homicídio passional.