Uma mulher de 59 anos está a lutar pelo direito a ser fertilizada com os óvulos que a filha, que morreu de cancro, congelou. Assim, espera poder gerar a própria neta e cumprir aquele que era o último desejo da filha – mas a batalha legal está a revelar se complicada.

O caso já resultou numa primeira decisão contrária à vontade desta mãe. A Autoridade de Fertilização e Embriologia Humana emitiu um parecer impedindo a transferência dos óvulos da clínica de Londres, onde estão congelados, para os EUA, onde a mulher espera que a fertilização “in vitro” seja levada a cabo.

Esta decisão foi tomada em 2014 e aquele órgão independente baseou-se no facto de não haver provas concretas de que a vontade da filha era mesmo que a mãe fosse fertilizada com os seus óvulos. Não haverá qualquer documento escrito a atestá-lo e a palavra da mulher não é considerada suficiente.

A jovem morreu por causa de um cancro no intestino e decidiu congelar os óvulos em 2008, quando ficou a saber que sofria da doença.

A mãe argumenta que a filha esperava poder ser ela própria a usar os óvulos, caso sobrevivesse à doença. Mas diz que, na recta final da sua vida, face à certeza da morte, expressou o desejo de que os óvulos fossem fertilizados por via do esperma de um doador e implantados no seu útero.

Uma clínica em Nova Iorque terá já manifestado poder realizar o procedimento, por uma verba da ordem dos 82 mil euros, mas as questões legais estão a complicar as pretensões da mulher.

Este caso é considerado inédito, por envolver uma dadora de óvulos que já morreu.

ZAP