Uma mulher paralisada aprendeu a usar um implante cerebral para comunicar através dos seus pensamentos. Esta é a primeira vez que um interface deste género é usado no quotidiano de um doente, sem ser preciso a ajuda de médicos ou engenheiros para calibrar o dispositivo.

O novo implante cerebral permite à paciente comunicar através dos seus pensamentos e funciona com um interface informático que permite soletrar palavras e frases, escreve o RT.

O projeto foi levado a cabo no Centro Médico de Utrecht, na Holanda, e foi posto em prática com uma mulher de 59 anos, diagnosticada em 2008 com Esclerose Lateral Amiotrófica.

“É especial ser a primeira”, afirmou a paciente, que prefere manter o anonimato, à revista New Scientist. A ELA é uma doença que destrói as células nervosas, deixando as pessoas sem controlo do seu próprio corpo. A doente perdeu a capacidade de respirar sozinha e precisa de um ventilador para o fazer.

“Ela está praticamente trancada no seu próprio corpo”, afirma Nick Ramsey, um dos responsáveis pelo estudo, agora publicado na New England Journal of Medicine.

A paciente costumava usar um dispositivo que escolhia letras num ecrã a partir do movimento dos olhos. Mas, com o passar dos anos, esta técnica pode deixar de ser eficaz, uma vez que uma em cada três pessoas com a doença perde a capacidade de mexer os olhos.

Assim, este novo dispositivo é implantado de forma cirúrgica no córtex cerebral, a região que controla o movimento, e é composto por dois elétrodos

: um que está situado na parte do cérebro responsável por mover a mão direita e o outro na parte do órgão que usamos quando queremos contar de forma regressiva.

Os dois estão ligados a um transmissor, com o tamanho de um pacemaker, implantado no peito da paciente e que se comunica com um programa de computador que exibe os resultados num ecrã.

É nessa tela que surgem as letras do alfabeto e, quando a paciente vê a letra que pretende, pensa que a está a selecionar com a mão direita. Os elétrodos traduzem esse sinal ao transmissor e, de seguida, ao programa de computador que escreve as frases.

Para já, usar este dispositivo ainda é um processo lento – escrever uma única palavra pode demorar alguns minutos -, mas algo que está a melhorar com a prática. Inicialmente, a mulher demorava cerca de 50 segundos a escolher uma letra e agora já só precisa de 20.

“É uma forma de contribuir para que as pessoas como eu possam ver melhorias nas suas vidas”, disse a paciente à New Scientist.

A equipa de investigadores espera, a longo prazo, fazer com que o dispositivo possa traduzir outros sinais como, por exemplo, para desligar a televisão.

ZAP