Devido à estrita legislação antiaborto americana, uma mulher foi obrigada a dar à luz o seu filho que tinha anencefalia, uma malformação que consiste na ausência de cérebro.
O caso está a trazer ao de cima os podres das leis antiaborto americanas, que limitam a capacidade de decisão das mulheres. Por ano, mais de mil gravidezes são afetadas por anencefalia, uma malformação que consiste na ausência do cérebro ou parte dele. No Alabama, o aborto é absolutamente proibido, a não ser que a saúde da mãe esteja em causa.
Os casos de anencefalia têm 0% de probabilidade de o bebé sobreviver. Apesar da saúde física da mãe não estar em risco, o parto de um bebé sem cérebro ou crânio pode constituir uma experiência que deixa mazelas a nível psicológico.
Um médico, que preferiu não revelar a sua identidade, documentou um destes casos nos Estados Unidos, em que a mãe se viu forçada a dar à luz, mesmo sabendo que o seu filho não ia sobreviver. O artigo “O Mito da Escolha” foi publicado este mês na revista Annals of Internal Medicine.
Nesta publicação é relatada a história de uma mãe que consulta o médico já num estágio tardio da sua gravidez. Com o estado atual do sistema de saúde americano, apenas lhe foi possível visitar um médico quando já estava grávida há várias semanas.
O médico informou-a que o seu filho não iria sobreviver devido a uma anencefalia e viu-se impotente, uma vez que não podiam fazer nada para remediar a situação.
“Esperamos que o paciente quebre o silêncio”, escreveu o médico, após ter dado o diagnóstico.
“O batimento cardíaco do bebé atravessa os monitores enquanto suavemente olhamos para a mãe. Os seus olhos imploram-nos. Acabe com isto”. No entanto, não há nada que ninguém possa fazer — a legislação não o permite. “E assim, a mãe vai para casa, grávida e de luto“.
“O bebé nasceu sem crânio. Vivo, por momentos. Dói olhar. Grotesco é tudo o que pensamos, mas não o podemos dizer. Tentamos ter calma para acalmar todos os outros. Este é o nosso trabalho. Liderar, acalmar. Porque todos estão perturbados”, escreveu, citado pelo All That’s Interesting.
O médico explica ainda que mãe não conseguiu olhar para o filho e que o parto teve um forte impacto psicológico nela. Além disso, teve mudanças radicais nas ancas, nos ossos e nos músculos.
“Vai sair do hospital com os seios inchados e a chorar pela morte do filho”, lê-se no artigo. “As suas ancas soltas e largas vão forçar as calças a esticarem-se. Ela terá problemas com a postura durante semanas, pontuando a perda do gingar a cada passo, até que, gradualmente, retira as calças da maternidade e os seus passos se tornam firmes“, conclui.
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Merica!!