António Cotrim / Lusa

A nova lei da identidade de género vai permitir a menores de idade mudar de nome e de sexo no registo. Com os votos a favor de PS, Bloco de Esquerda, Verdes e PAN, e a abstenção do PCP, deverá estar garantida a passagem da lei.

A nova lei de identidade de género será votada na próxima semana na especialidade, no dia 6 de abril, e permitirá mudar o nome e o género no cartão de cidadão aos 16 anos, com a autorização dos pais.

Segundo o Expresso, a proposta de lei do Governo prevê o fim da necessidade de um relatório clínico e a descida do limiar da idade para o fazer passa dos 18 para os 16 anos.

Além disso, o documento prevê também a proibição de cirurgias a bebés intersexo, a não ser que estejam em causa motivos de saúde, e que as escolas passem a tratar as crianças e jovens pelo género com o qual se identificam.

O documento, que irá ser votado na próxima semana, conta com os votos favoráveis do PS, Bloco de Esquerda, PEV, PAN e com a abstenção dos 15 deputados do PCP. Assim, neste cenário, a lei fica dependente de apenas um voto.

É provável, diz o jornal, que o PSD não imponha disciplina de voto contra a proposta e que dê liberdade de voto aos deputados. O CDS é o único partido que irá vetar a lei.

Com a liberdade de voto da bancada social-democrata, há 20 deputados que poderão votar a favor desta proposta – os mesmos que aprovaram os alargamento da lei da procriação medicamente assistida, dando às mulheres sozinhas e a casais de lésbicas a possibilidade de fazerem tratamento de fertilidade.

Nuno Monteiro Pereira, presidente da competência de Sexologia da Ordem dos Médicos, disse ao Expresso que “o problema dos transexuais é viverem numa sociedade que os rejeita”, dando um parecer positivo a esta proposta do Governo.

Em 2017, cerca de 50 pessoas pediram para fazer a cirurgia de redesignação sexual. Entre 2012 e 2016, foram feitas 38 cirurgias em hospitais públicos, mas entre 2011 e 2017, houve 375 pessoas que mudaram de género no cartão de cidadão.

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