André Kosters / Lusa

José Sócrates

O Ministério Público (MP) pediu à Justiça brasileira que faça uma pesquisa no sistema informático usado pela Odebrecht para gerir os alegados pagamentos de luvas.

José Sócrates, Paulo Portas, Assunção Cristas, António Mexia, Carlos Santos Silva e Francisco Seixas da Costa são os nomes referidos numa carta rogatória enviada para o Brasil em 2018.

Na carta, citada pelo Correio da Manhã, lê-se que o pedido está relacionado com investigação a alegadas ilícitas “vantagens concedidas pela Odebrecht a funcionários, titulares de cargos políticos ou altos cargos públicos portugueses”. As alegadas vantagens terão sido concedidas “como contrapartida pela atribuição/execução de empreitadas de obras públicas pela Odebrecht”.

O Ministério Público está a tentar chegar à identidade do ‘Príncipe’, o nome de código de um cidadão português que terá recebido alegadas “luvas” pagas pela construtora brasileira através da conta de um amigo de Ricardo Salgado no Dubai. As suspeitas estão a ser investigadas no caso EDP.

Estas supostas luvas pagas pela Odebrecht estarão relacionadas com a obra de construção da barragem do Baixo Sabor que pertence à EDP. A barragem localizada no distrito de Bragança começou a ser construída durante o Governo de José Sócrates

com um custo inicial de 450 milhões de euros. Contudo, as contas derraparam para gastos da ordem dos 650 milhões de euros.

A Odebrecht terá pagado alegadas “luvas” de 4,66 milhões de euros ao ‘Príncipe’ entre Setembro de 2008 e Abril de 2015. Desse valor, cerca de 2 milhões terão sido transferidos através de uma conta de José Carlos Gonçalves no ES Bankers Dubai (ESBD), antigo banco do GES.

O CM entrou em contacto com fontes próximas de José Sócrates, Paulo Portas, Assunção Cristas, Carlos Santos Silva e Francisco Seixas da Costa. Todas as eles negaram saber da existência de uma carta rogatória.

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