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O ex-primeiro-ministro, José Sócrates

O Conselho Superior do Ministério Público abriu um inquérito aos comentários tecidos por vários magistrados, em grupos restritos do Facebook, à detenção de José Sócrates. Uma decisão que poderá culminar com a abertura de processos disciplinares aos Procuradores envolvidos.

O jornal Público apurou que a decisão do Conselho Superior do Ministério Público foi tomada esta terça-feira, 14 de Abril, com o intuito de “apurar a eventual responsabilidade disciplinar de magistrados do MP face a alguns comentários críticos naquela rede social”, afiança o diário.

Entre os comentários feitos pelos magistrados estarão frases como “Há dias perfeitos. Hihihihihi“, comentário proferido na data da detenção de José Sócrates, à chegada ai aeroporto da Portela, e “Uma boa parte do PS podia mudar-se para Évora. Quiçá para o Estabelecimento Prisional”.

O protesto posterior dos reclusos, que reclamaram um secador de roupa e melhor alimentação, foi também alvo de um comentário dirigido ao ex-primeiro-ministro: “Com toda a razão, afinal ele estava habituado aos mais requintados restaurantes em Paris.”

Também as visitas de personalidades políticas que o antigo governante recebeu em Évora são visadas pelos comentários dos magistrados no Facebook.

“Que corrupio na cadeia de Évora…estarão todos com o rabo preso? (…) Se assim é, ainda a procissão vai no adro”, e “Uma boa parte do PS podia mudar-se para Évora

, quiçá para o Estabelecimento Prisional” são alguns dos comentários transcritos pelo Público.

O jornal salienta, contudo, que a decisão de abrir o inquérito aos autores dos comentários não foi unânime e que “pelo menos três elementos daquele conselho” votaram contra.

Por seu lado, o Conselho Superior da Magistratura optou apenas por chamar a atenção dos magistrados envolvidos, avança o Público, frisando que o órgão “relembrou os juízes que o especifico estatuto dos magistrados judiciais lhes impõe deveres que constituem limitações”.

O advogado de José Sócrates, João Araújo, tinha-se queixado, numa entrevista à RTP, dos comentários feitos pelos magistrados em diversos grupos fechados do Facebook, falando na “coisa mais desbragada” e em “juízes e procuradores a dizerem as coisas mais absurdas, mais disparatadas”.

João Araújo referiu-se aos magistrados implicados como “garotada que invadiu os tribunais e que se entretém com estas parvoíces em vez de estar a despachar processos”, relembra o mesmo jornal.

ZAP