Numa reportagem da TSF, vários moradores do Bairro da Encosta de S. Marcos, no Cacém, queixam-se do elevado número de casos de cancro entre elementos da comunidade. E falam do “medo” com que vivem devido à proximidade dos postes de alta e muito alta tensão.
“Ando no meu quintal a regar, no Verão, e penso, eu estou aqui a ser electrificada. Estou aqui a ser toda queimada, todos os meus órgãos estão a ser queimados. Na Alemanha, dizem que isto é prejudicial”, lamenta aos microfones da TSF uma moradora.
Sobre os efeitos prejudiciais para a saúde dos postes de alta tensão, outro morador refere que “há estudos que dizem que sim, e há estudos que dizem que não, mas a verdade é que as pessoas vão aparecendo doentes“.
Os moradores, em uníssono, assumem que há muitos casos de cancro no bairro e consideram que “é coincidência a mais”.
A recente aprovação de um novo decreto-lei que reforça as regras de protecção contra a exposição humana aos campos electromagnéticos das linhas de muito alta tensão não acalma os moradores.
Novas regras “têm mais de 25 anos”
As novas regras foram aprovadas a 9 de Março passado, por unanimidade, em votação final global, com base num projecto do Partido Ecologista “Os Verdes” (PEV). O texto dos ecologistas dá seis meses ao Governo para regulamentar a lei de 2010 sobre a matéria.
A deputada do PEV, Heloísa Apolónia, referiu no Parlamento os “riscos de cancro”, nomeadamente “leucemia em crianças”, e defendeu “o princípio da precaução”, em virtude da proximidade de certas populações e estabelecimentos de educação ou saúde àqueles “traçados de linhas de tensão e muito alta tensão”.
Mas as novas regras não satisfazem a Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP), nem o Bloco de Esquerda (BE).
Os bloquistas querem que o decreto-lei seja reapreciado no Parlamento, acusando o Governo de socorrer-se de regras que “têm mais de 25 anos” e que “não acompanham toda a evolução das últimas duas décadas”, quanto a efeitos para as populações, cita a TSF.
Em causa está o facto de as novas regras para o afastamento das linhas de alta tensão se basearem num decreto regulamentar de 1992.
O BE critica ainda o facto de o Governo permitir a instalação de linhas já licenciadas, sem que tenham que cumprir a nova legislação.
A ANMP alinha pelas mesmas críticas e refere que é “absolutamente descabido que a nova regulamentação não seja aplicada a todas as novas linhas”, o que seria “essencial” para a defesa da “saúde pública, ambiente, paisagem e ordenamento do território”, segundo cita a TSF.
Em defesa do Governo, o gabinete do Secretário de Estado da Energia considera que o decreto-lei traça uma “nova ambição para a saúde pública”. Quanto ao facto de as regras estarem previstas há oito anos, o Executivo acrescenta que não há estudos mais recentes sobre a temática.
O Governo também esclarece que, até 2023, as empresas de energia vão ter que cumprir estas novas regras.
[sc name=”assina” by=”ZAP” source=”Lusa”]
Os comentários da populaça estão ao melhor nível dos sketches do Telerural!..