Estela Silva / Lusa
Além dos três inspectores do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) que são suspeitos de terem agredido um cidadão ucraniano, que acabou por morrer, também há outros elementos do SEF, um médicos e uma enfermeira, seguranças e agentes da PSP a ser investigadores. Há indícios de que não fizeram nada para ajudar o homem que terá sido espancado no aeroporto de Lisboa.
As agressões ocorreram a 12 de Março, entre as 8:15 e as 8:35 horas no Aeroporto de Lisboa, conforme avança o Diário de Notícias (DN). Os três inspectores do SEF que terão agredido o homem ucraniano estão em prisão domiciliária.
A morte do cidadão ucraniana só terá sido declarada às 18:40, ou seja, dez horas depois das supostas agressões, ainda segundo o DN.
Neste período de tempo, várias pessoas tiveram contacto com a situação da vítima, nada fazendo para a ajudar. Deste modo, há outras pessoas que estão a ser investigadas por suspeitas de omissão de auxílio.
Os seguranças do Centro de Instalação Temporária do SEF, onde o ucraniano terá sido agredido, mais dois inspectores do SEF e dois agentes da PSP que escoltaram a ambulância que o levou para o hospital estarão também a ser alvo do inquérito aberto ao caso, segundo o DN.
O jornal avança ainda que uma enfermeira, dois socorristas da Cruz Vermelha e o médico do INEM que declarou o óbito estão igualmente a ser investigados, depois de terem assistido o cidadão ucraniano.
O DN repara que se está ainda a averiguar a demora do SEF em informar as autoridades competentes da morte. O Ministério Público só terá tido conhecimento do caso três horas depois da morte e a Inspecção-Geral da Administração Interna (IGAI) só terá sido informada seis dias depois.
“Se foi verdade é algo de imperdoável e chocante”
O primeiro-ministro manifestou-se “chocado” com as suspeitas relativamente aos funcionários do SEF, embora salientando a “presunção da inocência”, durante uma entrevista à Rádio Renascença.
Segundo o primeiro-ministro, é preciso “aguardar que as autoridades judiciárias desenvolvam a investigação e procedam ao seu julgamento para o apuramento das responsabilidades”.
“Se foi verdade é algo de imperdoável e chocante, porque quem exerce poderes de autoridade tem um especial dever de cuidado no exercício desses poderes”, frisou o líder do executivo.
Em comunicado, a Polícia Judiciária (PJ) referiu que os três homens, de 42, 43 e 47 anos, “serão os presumíveis responsáveis da morte de um homem de nacionalidade ucraniana, de 40 anos, que tentara entrar, ilegalmente, por via aérea, em território nacional“, no passado dia 10 de Março.
O alegado crime terá sido cometido após a vítima ter supostamente provocado alguns distúrbios no local, acrescenta a PJ.
O Governo também abriu um inquérito à Direcção de Fronteiras de Lisboa do SEF na sequência da detenção dos três elementos daquele serviço.
O ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, determinou também a abertura de processos disciplinares ao director e subdirector de Fronteiras de Lisboa, cujas comissões de serviço foram cessadas, ao coordenador do Espaço Equiparado a Centro de Instalação Temporária (EECIT), bem como a todos os envolvidos nos factos relativos à morte do cidadão estrangeiro naquelas instalações.
Na sequência deste caso, o director e o subdirector da Direção de Fronteiras de Lisboa do SEF foram demitidos na passada segunda-feira.
O caso foi revelado pela TVI, que adiantou que o cidadão ucraniano, proveniente da Turquia, queria entrar em Lisboa, mas foi barrado na alfândega do aeroporto pelo SEF, que o impediu de entrar enquanto turista.
O SEF, segundo a TVI, decidiu que o imigrante embarcaria no voo seguinte de regresso à Turquia, mas, entretanto, o homem terá reagido mal ao impedimento de entrar em Portugal. Foi levado para uma sala de assistência médica, no Centro de Instalação Temporária do aeroporto, onde terá sido torturado e morto à pancada.
[sc name=”assina” by=”ZAP” source=”Lusa”]
Se fosse um Polícia morto ninguém ficava "chocado". Isto é que me irrita.