A deputada bloquista mostrou-se esta sexta-feira preocupada com um nome que faz parte da constituição do Governo que o primeiro-ministro indigitado, António Costa, levou esta semana ao Presidente da República.

“Preocupa-me um nome: o da Ministra do Trabalho, Ana Mendes Godinho”, disse, em entrevista ao programa Vichyssoise, da rádio Observador.

“Preocupa-me por um conjunto de posições que teve enquanto secretária de Estado do Turismo e por ser autora de algumas frases polémicas, dizendo, por exemplo, a empresas chinesas para fazerem de nós cobaias. São posições questionáveis quando se tem um cargo de promoção de investimento ou do Turismo porque essa é a mesma lógica que esteve por trás dos vistos gold”, justificou.

Ana Mendes Godinho, recorde-se, é a aposta de António Costa para substituir Vieira da Silva no Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social – é uma das quatro cinco caras novas, entre 14 repetentes no maior Governo de sempre.

Mortágua não teceu nenhum outro comentário a outros membros do Governo, recusando-se a “fazer futurologia”. Prefere, afirmou, analisar a “linha política do Governo”.

A bloquista lamentou ainda que PS e Bloco não tenham consigo firmar um acordo de legislatura, tal como aconteceu no passado. “Acordo escrito conferia estabilidade do ponto de vista da forma e estabelecia ganhos à partida para a esquerda“, acrescentou, garantindo, contudo, que o Bloco de Esquerda vai negociar cada lei “com o mesmo empenho que houve em 2015”.

Foi na terça-feira que António Costa levou a constituição do novo Governo a Belém. Além de Ana Mendes Godinho, há outro quatro ministros: Maria do Céu Albuquerque entra para a Agricultura; Alexandra Leitão é promovida a ministra numa pasta nova: Modernização do Estado e da Administração Pública; Ana Abrunhosa é a nova ministra da Coesão Territorial e Ricardo Serrão Santos ministro do Mar.

No Governo vão manter-se 14 ministros: o ministro das Finanças, Mário Centeno, o ministro da Educação Tiago Brandão Rodrigues, a ministra da Presidência Mariana Vieira da Silva, a ministro dos Negócios Estrangeiros mantém-se Augusto Santos Silva.

João Gomes Cravinho fica novamente com a Defesa, Marta Temido na Saúde, Pedro Siza Vieira na Economia, Eduardo Cabrita na Administração Interna, Nelson de Souza no Planeamento, Graça Fonseca na Cultura, João Pedro Matos Fernandes no Ambiente e Pedro Nuno Santos nas Infraestruturas.

A ministra da Justiça, Francisca Van Dunem, e o ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor, também se vão manter nos seus cargos.

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