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A Fundação Portuguesa de Cardiologia alerta que há pessoas com medo de sair de casa até para ir ao médico, o que está a agravar algumas doenças graves, com consequências trágicas. Um problema sério quando “as doenças cardiovasculares matam 100 pessoas por dia em Portugal”.
Este aviso é lançado pelo presidente da Fundação Portuguesa de Cardiologia (FPC), Manuel Carrageta, em entrevista à TSF.
“Todos os dias há notícias sobre os mortos causados pela covid-19, mas alguém sabe quantos portugueses morrem diariamente com doenças cardiológicas? São cerca de cem pessoas por dia”, sustenta Manuel Carrageta.
De acordo com o Instituto Nacional de Estatísticas (INE), houve mais 6 mil mortos, em Portugal, neste ano, do que em 2019, sendo que apenas menos de um terço, ou seja, à roda de 1800, tiveram como causa directa a covid-19, como realça a FPC.
A Direcção Geral de Saúde (DGS) anunciou mais 4 mortes devido à covid-19 nas últimas 24 horas.
Dados que Manuel Carrageta destaca para frisar que “as pessoas estão a morrer mais com outras doenças do que pela covid-19”, considerando que “deixaram de dar atenção à sua saúde em geral”.
O presidente da FPC também nota que os problemas cardiovasculares são um factor de risco acrescido numa infecção por covid-19.
Mas depois do “sucesso dos tratamentos cardiovasculares” verificado nos últimos anos, está-se “a recuar devido a este problema da covid-19 que se compreende com o medo de ir ao médico e com o domínio completo da comunicação nos media“, lamenta.
“Se as pessoas não vão ao médico e estão preocupadas apenas com a covid-19 tendem a negligenciar as doenças cardiovasculares que não sendo tão assustadoras são muito mais dominantes”, alerta ainda, frisando que problemas associados à hipertensão e ao colesterol são a principal causa de morte em Portugal.
Manuel Carrageta nota que “houve uma redução enorme nas idas às consultas e urgências” e realça que os hospitais continuam a cortar nas consultas de cardiologia porque estão a desviar recursos para o combate à covid-19.
Assim, os doentes estão a chegar cada vez mais tarde ao médico e em fases mais graves da doença, o que dificulta a eficácia do tratamento.
“Maior fragilidade do SNS são os doentes não-covid”
Também o presidente da Associação de Administradores Hospitalares, Alexandre Lourenço, diz que “a maior fragilidade” do Serviço Nacional de Saúde (SNS), neste momento, “são os doentes não-covid, que continuam a ter muitas necessidades que não estão a ser satisfeitas”.
Em entrevista à Rádio Renascença no âmbito dos 41 anos do SNS, Alexandre Lourenço destaca que houve “mais de quatro milhões de consultas presenciais que não foram realizadas, mais de dois milhões de contactos e de consultas de enfermagem, mais de um milhão de consultas hospitalares, mais de 100 mil cirurgias” que ficaram por fazer.
Este enorme “volume de cuidados que não foram prestados” terá, inevitavelmente, “impacto na saúde dos portugueses”, analisa este responsável.
Alexandre Lourenço acredita que este momento deve servir para “repensar o SNS numa lógica mais integrada, não só da prestação de cuidados de cada hospital per si, de cada centro de saúde per si, mas numa lógica de maior integração com a comunidade, com o sector social, com as autarquias, com as forças de segurança”.
“Para o futuro, não só para enfrentar a covid-19, é necessário realmente repensar o SNS para mais 40 anos”, analisa ainda Alexandre Lourenço.
[sc name=”assina” by=”ZAP”]
Compreende-se a essência do artigo.. mas não o suavizar por colateralidade do problema covid19. Veja-se que técnicamente... o covid19 não é uma doença respiratória mas sim uma doença cardiovascular com ramificações ao sistema nervoso. De acordo com as inumeras autopsias e artigos médicos.. o efeito destrutivo no endotélio (e não so) é mais que evidente...
... se morrem 100 pessoas pessoas por dia devido a origens cardiovasculares, caso o SARS COV 2 não seja controlado.. muitas mais irão morrer pelo mesmo motivo mas com origem na infecçãoo covid19...
... o covid19 é um problema muito sério e não pode ser suavizado!