O ator norte-americano, de 80 anos, está a ser acusado por oito mulheres de assédio sexual e comportamento impróprio ao longo dos últimos anos, segundo uma investigação da CNN.
A notícia cruza depoimentos de pelo menos 16 pessoas, oito das quais dizem ter sido vítimas de assédio sexual por parte do ator Morgan Freeman e outras tantas terem presenciado comportamentos e atitudes impróprias em ambiente de rodagem, na promoção de filmes ou dentro da produtora Revelations Entertainment, que o próprio criou.
Entre os casos relatados pela CNN está o de uma assistente de produção da comédia “Ladrões com muito estilo” (2017), protagonizada pelo ator, Michael Caine e Alan Arkin. A mulher alega que o ator a tocava sem consentimento e fazia comentários diários sobre o corpo e a roupa que vestia.
Outro dos depoimentos é da jornalista Chloe Melas, da CNN, que coassina a reportagem, recordando que, numa ronda de entrevistas a propósito do mesmo filme, o ator de 80 anos teceu vários comentários de cariz sexual enquanto olhava insistentemente para ela, na altura grávida de seis meses.
Quatro pessoas que trabalham em rodagens de produções com Morgan Freeman ao longo da última década descrevem um persistente comportamento impróprio que incluía assédio verbal e tentativa de, por exemplo, levantar as saias das mulheres.
“Cada uma delas disse que não denunciou o comportamento de Freeman porque receava perder o emprego. O comportamento padrão descrito pelas pessoas que falaram com a CNN revela os problemas sistemáticos que existem na indústria do entretenimento”, afirma o canal de televisão.
“As alegações contra o Freeman não se referem a coisas que se passaram em privado. São coisas que alegadamente aconteceram em público, em frente a testemunhas e até mesmo em frente às câmaras”, escrevem as jornalistas An Phung e Chloe Melas.
“Antes do #Metoo, muitos homens da indústria do entretenimento comportavam-se sem medo das consequências, porque muitas vezes quando algum homem com poder o fazia, era a vítima que sofria as consequências”, lamentam.
No mesmo dia, o ator norte-americano Morgan reagiu à reportagem da CNN, pedindo desculpa “a quem se sentiu desrespeitado ou desconfortável” com as suas ações.
“Quem me conhece ou trabalhou comigo sabe que não sou capaz de ofender alguém intencionalmente, nem de criar situações que causem desconforto”, lê-se no comunicado, divulgado pelo agente do ator, Stan Rosenfield, citado pela Associated Press.
“Peço desculpa a quem se sentiu desrespeitado ou desconfortável, nunca foi essa a minha intenção”, conclui o ator na mesma nota.
Morgan Freeman é visto como um dos atores mais respeitados e famosos de Hollywood, com uma carreira premiada de quase 50 anos da qual fazem parte filmes como “Miss Daisy”, ” A fogueira das vaidades”, “Os condenados de Shawshank”, “Sete pecados mortais” ou “Invictus”.
[sc name=”assina” by=”ZAP” url=”” source=”Lusa” ]
O que está a acontecer começa a assemelhar-se, com as devidas distâncias e prudência, a uma espécie de macartismo ou pelo menos corre esse risco de se começar a confundir o trigo com o joio.