Mário Cruz / Lusa

O ex-líder parlamentar do Partido Social Democrata (PSD), Luís Montenegro

O antigo líder parlamentar do PSD confirmou os rumores que foram sendo vaticinados na imprensa durante esta semana: Luís Montenegro é oficialmente candidato à liderança do partido e desafia o atual líder, Rui Rio, a ir a jogo.

A confirmação foi feita pelo próprio Luís Montenegro, esta quarta-feira, em entrevista à SIC. Depois dos resultados das eleições de domingo e do coro de críticas à liderança de Rio, Montenegro confirma que vai concorrer à cadeira de Rio.

“Cada um de nós tem de assumir as suas responsabilidades, eu vou assumir as minhas. Serei candidato nas próximas eleições diretas por uma questão de coerência e convicção e gostava muito que o doutor Rui Rio também também pudesse ser candidato”.

“Rui Rio quebrou um ciclo de duas vitórias”, referiu Luís Montenegro. “Não tenho qualquer guerra pessoal com o doutor Rui Rio, o que quero é um PSD ganhador”.

No entender de Montenegro, “António Costa era batível nestas eleições” legislativas. “O PSD colou-se ao Partido Socialista mostrando uma disponibilidade para ter um apoio que nunca teve e que nunca o Partido Socialista lhe deu”.

O antigo líder parlamentar social democrata  diz que o partido precisa de “coesão, união”, que permita agregação “em torno de um líder”, bem como “definição estratégica e ideologia”. “É preciso pelo menos que não tenhamos complexos ideológicos e que não tenhamos nenhuma crise existencial a respeito disso”, reforçou.

Apesar de não renegar o passado, Luís Montenegro, líder parlamentar do antigo primeiro-ministro Pedro Passos Coelho, rejeita comparações.

“Quem está aqui hoje não é Pedro Passos Coelho, nem Cavaco Silva, nem Durão Barroso, nem Santana Lopes, é Luís Filipe Montenegro: só respondo por mim, e quero que as pessoas se identifiquem comigo”, disse, antes de garantir que não se candidatava ao cargo se não achasse que fosse capaz de ser líder do PSD.

“Não acredito em homens providenciais, de egos enormes, mas não me iria candidatar a um cargo de liderança se não achasse que era capaz de fazer melhor do que os outros”, afirmou na mesma entrevista conduzida por Clara de Sousa.

De acordo com o ex-líder parlamentar, a grande diferença entre si e Rui Rio reside no projeto político e no posicionamento face ao PS.  “Quero é que o PSD deixe de ser subalterno face ao PS. O PSD não pode estar todos os dias a reclamar reformas estruturais com o PS, tem de ter vida própria, sobretudo porque o PS não quer fazer essas reformas estruturais, António Costa não é um reformista”, disse.

O PSD de Rui Rio obteve no domingo o pior resultado do partido em legislativas dos últimos vinte anos, mas apenas em percentagem, já que conseguiu eleger mais deputados do que Pedro Santana Lopes em 2005. Apuradas todas as freguesias do território nacional, os sociais-democratas obtiveram 27,9% dos votos, correspondentes a 77 deputados, ficando a nove pontos percentuais do PS.

Partindo destes números, Montenegro voltou a apontar baterias à liderança de Rio: “O PSD não foi capaz de cativar os eleitores que não quiseram dar maioria absoluta ao PS”.

Luís Montenegro foi ainda questionado sobre a sua condição de arguido no processo que investiga viagens ao Euro 2016 e sobre uma eventual acusação pode afetar o cargo de presidente do PSD, se vier a ser eleito.

“Tenho a certeza absoluta de que não serei condenado por estes crimes que me são imputados”, disse Montenegro, assegurando não se sentir “minimamente limitado” pelo processo: “Não há nenhuma forma de preencher esta forma de crime, nem que as viagens me tivessem sido oferecidas”.

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