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A modelo negra que participou no anúncio da Dove acusado de racismo defendeu a marca e afirmou que a intenção seria a oposta: celebrar a diversidade étnica e nunca desprezar as mulheres negras.
Lola Ogunyemi viu-se no meio de uma polémica nas redes sociais devido ao anúncio a um gel de banho da marca de produtos de beleza. O vídeo de 3 segundos publicado na página de Facebook da Dove mostrava inicialmente uma mulher negra a tirar a t-shirt para revelar uma mulher branca que volta a despir a parte de cima e aparece uma asiática.
Nas redes sociais Facebook e Twitter muitas pessoas consideraram que as imagens significavam que os brancos eram mais limpos e bonitos que os negros acusando a marca de racismo e de falta de sensibilidade.
“Eu não sinto que foi racista“, disse a modelo Lola Ogunyemi numa entrevista à BBC
, onde revelou que estava muito contente por ser “a cara negra da campanha” e por ter a oportunidade de “representar as irmãs de pele escura numa marca de beleza global”.O anúncio tinha uma versão de 30 segundos para a televisão que continha outras imagens e ainda um slogan que tornava a intenção da campanha mais clara, ou seja, dizer que todas as mulheres merecem produtos de qualidade, explicou a modelo nigeriana.
“A publicidade nas redes sociais não é uma justa representação do todo“, acrescentou.
Lola Ogunyemi disse à BBC que a Dove devia ter percebido o risco da sequência de imagens ser mal interpretada, dado que a marca já teve problemas semelhantes no passado e que “deveriam ter equipas fortes para apontar esse tipo de erros antes de ir para o ar”.
A Dove pediu desculpa através do Twitter por qualquer ofensa ou insulto que possa ter causado.
No entanto, esta não é a primeira vez que a marca é acusada de discriminação racial. Em 2011, a Dove apresentou um anúncio em que colocava três mulheres, a primeira com a pele mais escura e a última com uma cor de pele mais clara, como se a mulher branca fosse o bom resultado conseguido graças à utilização dos produtos da marca.
Em 2015, lançou um creme de verão destinado para “peles normais às mais escuras”.
E aos que clamam que este é mais um caso de mera “fúria despropositada nas redes sociais” com uma situação que eventualmente nem o merecia, não faltou quem tivesse tido o cuidado de contextualizar o mais recente anúncio no histórico de anúncios racistas da Unilever, marca mãe da Dove.
Obviamente que não é racista. Aliás, se fosse ao contrário: uma branca a transformar-se numa branca, os histéricos dos justiceiros sociais já não diriam nada...