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Made in Correeiros, o restaurante em Lisboa acusado de enganar clientes

Está instalada a polémica por causa do restaurante Made in Correeiros, localizado em Lisboa. As más avaliações na Internet e as queixas sucedem-se mas, de acordo com a DECO e com a ASAE, é difícil provar a sua ilegalidade.

Uma rápida pesquisa no Google sobre o restaurante Made in Correeiros, em Lisboa, leva-nos a um primeiro link no TripAdvisor que deixa muito pouco a desejar: “O pior restaurante de Lisboa”, pode ler-se numa das avaliações.

Continuamos a fazer “scroll” na página e as críticas, quer de turistas quer de portugueses, são todas idênticas. O estabelecimento em plena baixa lisboeta está a dar que falar por causa dos preços abusivos que cobra e por enganar os clientes que por lá passam.

Segundo o Diário de Notícias, o restaurante é acusado de “ter preços demasiado altos para os serviços e comida que apresenta, com várias pessoas a referirem que os pratos são, inclusivamente, sugeridos pelos funcionários, muitas vezes sem mostrarem os preços”.

“Apresentam uma carta com preços com uma média de 15 euros e depois sugerem pratos que não estão na carta. No final este esquema pode render 250 euros por uma refeição vulgar. A evitar!! Onde andam as autoridades deste país?!”, escreve um utilizador na aplicação Zomato.

Nas redes sociais, começaram a circular fotografias das contas finais, nas quais se podem ver os preços praticados: “Mista de Marisco” a 250 euros e “Mista de Carne Especial” a 140 euros são alguns dos exemplos.

Os utilizadores também alertam para o facto de o restaurante ter mudado recentemente de nome: antes chamava-se Portugal no Prato (mas o esquema mantém-se).

De acordo com o Observador, a verdade é que os preços exorbitantes estão presentes nas ementas mas “não são assim tão visíveis”. No menu consultado pelo jornal online, os pratos mais caros surgem apenas no final da carta, sendo preciso folhear até ao fim para encontrar uma folha onde surgem então os pratos mais caros.

(dr) TripAdvisor

Uma das muitas contas astronómicas no restaurante “Made in Correeiros”, em Lisboa

Queixas na DECO

Ana Sofia Ferreira, do gabinete de apoio ao consumidor da DECO (Associação de Defesa do Consumidor), confirmou ao DN que existem várias queixas relativas ao restaurante em questão, mas que são maioritariamente do primeiro semestre de 2016.

“A DECO recebeu algumas denúncias e práticas relatadas pelos consumidores no primeiro semestre de 2016 e apresentámos queixa à ASAE em maio. As queixas que recebemos, nas quais se incluem algumas de turistas, relatavam práticas como, por exemplo, funcionários a angariar clientes nas ruas e a informar um preço médio para as refeições. Depois era apresentado um valor muito mais alto do que o que era suposto e as queixas têm a ver com o facto de os clientes terem recebido informações erradas”, explica.

Segundo um comunicado da ASAE, citado pelo Observador, só no último ano foram efetuadas duas ações de fiscalização, que ainda estão em fase de averiguação. Dessas ações foram instaurados dois processos, um de “contraordenação por incumprimentos relativos aos requisitos obrigatórios na área de restauração e bebidas” e “um processo crime por fraude sobre mercadorias”.

Ao que a ASAE apurou, os preços constam das ementas, por isso, o restaurante não está a incorrer em nenhuma irregularidade. Por isso, “quando entrarem num restaurante, peçam sempre a ementa primeiro”, sugere Ana Sofia Ferreira, aconselhando os consumidores a “não pedir nada sem ver os preços”.

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