António Cotrim / Lusa
O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa
Se for reeleito Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa está consciente de que tem pela frente um caminho mais difícil. Em entrevista à TVI, afastou uma eventual crise política, sugeriu que Eduardo Cabrita não sai porque o primeiro-ministro não quer e lançou uma espécie de ultimato a Marta Temido.
Esta segunda-feira, em entrevista à TVI, o candidato presidencial e atual Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, falou da polémica em torno do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) e do ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita.
Questionado sobre se o governante se devia demitir, na sequência do caso da morte de Ihor Homeniuk, Marcelo lembrou que ninguém apresentou a demissão. Enquanto Presidente, escusou alongar-se.
“O candidato só pode e deve dizer aquilo que pode e deve dizer enquanto Presidente da República. O senhor ministro da Administração Interna não pediu exoneração, o senhor primeiro-ministro não propôs exoneração”, referiu, estabelecendo um paralelo com a situação de Constança Urbano de Sousa, que pediu a exoneração do cargo de ministra depois dos incêndios de 2017.
O Presidente disse mesmo que foi tão duro com Eduardo Cabrita como foi com Constança Urbano de Sousa, salientando que, na altura, “disse que valia a pena pensar se quem, no plano da administração pública, exercia funções que tinham conduzido a certo resultado, seria indicada a mudança para essas mesmas pessoas”.
Agora, assume ter feito algo muito parecido: “Usei há dias em Belém uma expressão que era paralela a essa num plano diferente“. “A senhora ministra pediu a exoneração na altura, agora não tenho conhecimento que tenha havido pedido nem proposta de exoneração do senhor ministro da Administração Interna.”
Ainda sobre o mesmo tema, Marcelo sublinhou que não poderia “dizer nada nem fazer nada que antecipasse” a investigação e o “juízo criminal”. As consequências políticas foram a demissão da diretora do SEF e a reestruturação daquele organismo, salientou.
Sobre a ministra da Saúde, Marta Temido, o chefe de Estado avisou que não há margens para erros com a vacinação contra a covid-19 depois da oferta insuficiente da vacina da gripe, admitindo que “os portugueses foram enganados” em 2019.
“Desta vez, empenhei-me em falar com os produtores das vacinas para me informar exatamente [sobre as questões quantitativas e as condições para a administração]”, disse.
“Foram feitas as contas para haver o número de vacinas e tomas para todos”, garantiu Marcelo, reforçando um novo recado à ministra da Saúde: “Espero que [a conclusão da vacinação do primeiro grupo] não escorregue além de março, abril, para que o segundo grupo não se atrase”.
“O meu grupo é o segundo grupo. Espero pelo primeiro, os 900 mil, para depois ser vacinado”, frisou o Presidente, justificando que “sempre entendi que os órgãos de soberania não devem passar à frente”.
Sobre as restrições para o Natal, o Presidente notou que não lhe parece provável que as medidas sejam apertadas, mas garantiu que ele próprio e o Governo farão “tudo o que for necessário” para impedir ou mitigar uma terceira vaga.
“Não estraguem” no Natal os progressos no combate à covid-19
Na mesma entrevista, Marcelo Rebelo de Sousa admitiu que “a realidade é mutante”, mas salientou que não lhe “parece que haja um conjunto de fatores que obriguem a mudar o que foi decidido” para a quadra natalícia.
Quanto ao número de pessoas presentes na mesa de Natal, e mesmo tendo em conta que Portugal não instituiu nenhuma regra neste sentido, o Presidente evitou dar uma resposta, mas deu o seu exemplo pessoal, apontando para um total de cinco pessoas.
“No dia 24 de dezembro janto com parte da família, são cinco”, contou. No dia 24, há jantar “com outra parte da família, também cinco” e “no dia 26, são 7”. “Não é em minha casa, estou com dúvidas sobre como vão arrumar a mesa. Tento dar o exemplo”, referiu.
“Queria apelar aos portugueses que não estraguem o que se está a fazer e os números que temos tido [que têm vindo a baixar em termos de novas infeções, embora a mortalidade continue elevada]. Não estraguem!”, pediu o chefe de Estado.
Segundo mandato “mais difícil”
Proximidade, estabilidade e compromisso. São as premissas de Marcelo Rebelo de Sousa caso seja reeleito em janeiro do próximo ano. A missão é reforçar a “área de poder para ser sustentável”, mas também a oposição “para o Presidente dispor de alternativa em caso de crise”.
Ainda assim, o futuro que vislumbra é mais tumultuoso do que o que encontrou há cinco anos .”Acho que o segundo mandato vai ser mais difícil“, sendo a pandemia e os seus efeitos económicos e sociais as maiores ameaças. “Quanto mais tempo for a pandemia, maior é a crise. Quanto maior for isto tudo, maior é o stress político.”
Na entrevista à TVI, Marcelo Rebelo de Sousa garantiu que não lhe passa “pela cabeça que existam eleições legislativas em 2021” e que não planeia vetar o Orçamento do Estado para 2021. “O bom senso dita que a orientação tendencial é não criar uma crise política em cima de uma crise de saúde pública”, disse.
Sobre a solução governativa de direita para os Açores, o candidato assumiu que, em termos constitucionais, não seria possível impedir a tomada de posse do Executivo de Bolieiro, com o PSD a formar Governo com o Chega.
“Não vejo constitucionalmente como dizer que não. Há uma maioria no Parlamento e essa maioria integra e apoia uma solução governativa, não posso discriminar por simpatia ou empatia, nem os deputados, nem os eleitores. Sou Presidente de todos os portugueses, não de todos menos 10% dos portugueses”, afirmou, demarcando-se das posições assumidas pelas adversárias Ana Gomes e Marisa Matias.
[sc name=”assina” by=”Liliana Malainho, ZAP” url=”” source=””]
Este papagaio devia mostrar, a si mesmo, a porta de saída, porque se tem comportado como um rato... está sempre na sua toca, e fala com a cagufa em níveis elevados. Isto é preocupante.
Então, o trio Costabritelfie tem de bazar dos seus aposentos fofos.