Alguns ministros britânicos estão a ser acusados de subestimar a gravidade da pandemia de covid-19, depois de ter sido revelado que mais de mil pessoas morreram diariamente durante 22 dias consecutivos.

De acordo com o jornal britânico The Guardian, o pior dia da pandemia no país foi dia 8 de abril, quando o país se preparava a celebração da Páscoa, já em confinamento, e se registaram 1.445 mortes pelo novo coronavírus em 24 horas.

De acordo com os dados desse dia, o país tinha registado 938 óbitos, mas o Governo veio mostrar agora os novos dados que incluíam as vítimas mortais que sucumbiram ao vírus em hospitais, lares e residências privadas, verificando-se uma diferença de 507 óbitos.

No dia 9 de abril, Boris Johnson, que se encontrava hospitalizado devido ao vírus

, foi substituído por Dominic Raab, que tinha afirmado que tinham ocorrido mais 881 mortes face ao dia anterior, quando o valor era 64% mais elevado.

Os ministros britânicos estão a ser criticados pela sua abordagem e os críticos dizem que deviam ter referido com mais clareza que os números que estavam a ser divulgados só contabilizavam as mortes em hospitais após os testes positivos para a covid-19.

A 29 de abril, 21 dias após o dia mais fatal, o Governo anunciou a nova contagem, que incluía as vítimas mortais em lares e residências privadas, bem como pessoas sem testes.

Durante 22 dias consecutivos, entre 2 de abril e 23 de abril, o número de mortes nunca atingiu os quatro dígitos, sendo que o valor mais elevado divulgado pelo Governo fixou-se em 980 óbitos. Os dados recolhidos pela publicação mostram que mais de 32 mil pessoas morreram em hospitais e mais de 16 mil morreram em lares de idosos.

Em três semanas morreram 26.566 pessoas, mais de metade do total de mortes registados até 5 de junho, que só contando com as mortes em hospitais se fixa em 52.161 mortes.

A atualização deste valor levou a que o Reino Unido fosse o país mais afetado na Europa em termos de mortes.

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