Miguel Pires da Rosa / Flickr

O ministro responsável pela pasta do Ensino Superior quer ver as instituições a combater as comissões de praxe, que classifica mesmo de “organizações secretas”.

Em entrevista ao Diário de Notícias, o ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor, afirmou que é preciso combater as praxes das universidades portuguesas.

O ministro defende que os órgãos de gestão das instituições, bem como as associações de estudantes, “devem combater as comissões de praxes e a sua prática interna”.

“Não é aceitável que um presidente de uma associação de estudantes esteja sentado numa tribuna ao lado de um presidente de uma comissão de praxes”, criticou.

Manuel Heitor acredita que é necessário “desmanchar estas redes”, que chega a considerar de “organizações secretas”, pela enorme dificuldade em encontrar os seus alunos responsáveis.

“Se perguntar a muitos dirigentes de instituições, dizem que não sabem, nem os conhecem. Estão transformados em algumas instituições em organizações secretas”, afirma.

O ministro não quer, para já, adiantar quais vão ser as medidas tomadas pelo Ministério. Certo é que neste momento está a decorrer um estudo sobre o fenómeno das praxes, um “processo complexo, com vários temas dentro dele”, classifica o ministro.

Este é o primeiro estudo a nível nacional sobre o tema e está à responsabilidade de um grupo de trabalho liderado por João Teixeira Lopes, da Universidade do Porto, e por João Sebastião, do ISCTE. Os resultados deverão ser entregues ao Governo ainda antes do fim do ano.

Em declarações ao DN, o ministro afirma que, independentemente do que acontecer no futuro, há certas coisas que são inaceitáveis e que têm de ser alteradas.

No topo dessa lista estão então as comissões de praxes, que vê como “uma praxe dentro das praxes” e que, de forma frequente, “tem causado danos físicos” aos estudantes.

Para o ministro, as universidades devem ter um papel fundamental neste combate às praxes, não bastando para isso “limitar a proibir a praxe dentro das suas instituições”.

“Vou escrever, no início de setembro, a todos os dirigentes estudantis, a condenar o uso da praxe e a pedir para não valorizarem qualquer relacionamento com as estruturas que se têm organizado dentro das instituições e para as combaterem”, disse ao diário.

ZAP