Miguel Pires da Rosa / Flickr
O ministro da Ciência e Ensino Superior, Manuel Heitor, escreveu uma carta às instituições de Ensino Superior na qual criticou o “abuso e humilhação” das praxes e adiantou que pretende envolver cientistas na receção dos alunos para a divulgação de atividades científicas.
A carta, disponível online, foi dirigida aos reitores e presidentes de politécnicos e seguiu também para as unidades de investigação do sistema científico nacional.
O ministro pediu às instituições de Ensino Superior que deixem de reconhecer as comissões de praxe e outros órgãos que são responsáveis por regular as praxes académicas.
“O ingresso no Ensino Superior tem sido sistematicamente marcado por práticas contrárias aos ideais de liberdade, crítica e emancipação dos jovens“, adiantou Manuel Heitor, criticando o “abuso e humilhação” a que os caloiros são sujeitos durante as praxes.
Como forma de alternativa à tradição das praxes – que já classificou de “organizações secretas” – o ministro propõe que os programas de receção aos novos alunos sejam focados na cultura e ciência
.Para atingir esse objetivo, foram dadas instruções à Fundação para a Ciência e Tecnologia para que ajude na realização de atividades de integração de novos estudantes de âmbito científico-cultural.
Manuel Heitor pretende ainda que a agência nacional Ciência Viva dê apoio às instituições de Ensino Superior na “dinamização de iniciativas destinadas aos novos estudantes”.
“Neste contexto, não posso aceitar mais uma vez o ciclo repetitivo de imagens degradantes que nos envergonham”, afirmou.
Este será o primeiro ano letivo a arrancar com Manuel Heitor, ministro desde novembro de 2015, à frente da pasta, depois de ter tutelado a secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior entre março de 2005 e junho de 2011.
BZR, ZAP
Se conseguirem envolver as pessoas e entidades certas, fizerem de facto mudanças lógicas e consistentes, com futuro, irrevogáveis e não só para durar um ano ou dois, diria mesmo que deve ser a única coisa boa que este Governo consegue fazer.