Tiago Petinga / Lusa

O ministro da Defesa Nacional, Azeredo Lopes

O major Vasco Brazão, ex-porta-voz da Polícia Judiciária Militar (PJM), assegurou ao juiz de instrução no caso de Tancos ter dado conhecimento a Azeredo Lopes sobre a encenação montada mais de um mês após a recuperação das armas.

Questionado pelo semanário Expresso, o ministro da Defesa negou dar informações sobre as alegações feitas por Vasco Brazão no tribunal, invocando segredo de justiça.

No entanto, e em resposta ao jornal, Azeredo Lopes rejeitou categoricamente saber do encobrimento na recuperação das armas de Tancos. De acordo com as declarações prestadas ao Expresso, o ministro da Defesa disse não saber da operação, antes dessa operação ter sido realizada, em outubro, nem depois dela, no final do ano de 2017.

De acordo com fontes do processo ouvidas pelo semanário, o major Vasco Brazão garantiu no tribunal ter entregue pessoalmente no final do ano um memorando com a explicação de toda a operação ao chefe de gabinete de Azeredo Lopes.

O investigador acrescentou ainda que o chefe de gabinete contactou telefonicamente o ministro, à frente dos dois militares da PJM, para o informar da situação.

Segundo o depoimento de Vasco Brazão no Tribunal de Instrução Criminal, o chefe de gabinete e o ministro não teceram comentários sobre aquela informação nova, limitando-se a registar o caso.

Também em declarações ao Expresso e reagindo ao alegado conhecimento de Azeredo Lopes, o primeiro-ministro mantém a confiança política no ministro da Defesa. “Desconheço em absoluto o que tenha sido dito por qualquer pessoa em qualquer depoimento, que aliás presumo que esteja em segredo de justiça”, afirmou.

“Conheço o que de modo inequívoco o ministro da Defesa Nacional já declarou em público e que não suscita qualquer quebra de confiança”.

Azeredo Lopes não vê motivos para demissão

O ministro da Defesa considerou esta quinta-feira que o pedido de demissão do CDS “não faz sentido nenhum”, e constituiu “uma espécie de bullying

político”, mas disse encarar “com normalidade” a constituição de uma comissão de inquérito sobre Tancos.

“Neste caso, já tenho um bocadinho a pele dura, porque o CDS pede a minha demissão desde 3 de julho de 2017. Ao fim de um ano, três meses e dois dias, já criei alguma resistência”, disse Azeredo Lopes.

“Sem querer fazer ironia, acho que não faz sentido nenhum. Se tivesse sentido, obviamente já teria apresentado a minha demissão, não tenho apego a cargos que não me leve a ter a lucidez de analisar o que faço”, sustentou.

Azeredo Lopes pronunciava-se, à margem da reunião dos ministros da Defesa da NATO que decorreu em Bruxelas, sobre a proposta de comissão parlamentar de inquérito ao furto de armas em Tancos para apurar responsabilidades políticas do Governo, quem falhou e por que falharam as medidas de segurança, com os centristas a defenderem também a demissão do ministro.

“Que fique muito claro: aquilo que o CDS pede, pede legitimamente. É um partido político, está a fazer oposição, considera que eu devo demitir-me, por isso encaro isso sem quaisquer hard feelings, sem críticas pessoais, embora às vezes até pareça uma espécie de bullying político”, observou, acrescentando encarar “com toda a normalidade” a constituição de uma comissão de inquérito.

[sc name=”assina” source=”Lusa” ]