O ministro da Defesa, Azeredo Lopes, está a ser fortemente contestado depois de ter dito que “pode não ter havido furto nenhum” em Tancos – palavras vistas como uma atribuição de responsabilidades e de suspeições sobre o Exército.
“No limite, pode não ter havido furto nenhum“, pois “não existe prova visual, nem testemunhal, nem confissão”, disse Azeredo Lopes em entrevista ao Diário de Notícias, publicada neste domingo, 10 de Setembro.
“Por absurdo podemos admitir que o material já não existisse e que tivesse sido anunciado… e isso não pode acontecer”, acrescentou o ministro da Defesa.
Estas palavras não caíram bem entre os partidos políticos da oposição, nem tão pouco no seio do Exército, conforme apurou o jornal Expresso que avança que o ministro “está a ser alvo de chacota entre os militares”.
Um militar no activo não identificado refere ao semanário que “o ministro perdeu uma boa oportunidade para estar calado“, enquanto o major-general na reserva Carlos Branco o acusa de ter falado como numa “conversa de café”.
“Um ministro, com as responsabilidades que tem, não pode levantar meras hipóteses, tem que dar explicações, sob pena de parecer que quis apenas chamar para si o palco mediático”, salienta o major-general no Expresso.
CDS chama o ministro ao Parlamento
O CDS-PP já formalizou um requerimento para a audição do ministro na comissão parlamentar de Defesa, pretendendo que clarifique as suas declarações e preste todos os esclarecimentos sobre as averiguações do desaparecimento das armas de Tancos.
A presidente do CDS-PP, Assunção Cristas, foi mais longe e pediu a demissão de Azeredo Lopes por considerar que a sua postura “não é admissível” e que “não tem a mínima noção do que é exercer o cargo que ocupa”. A dirigente centrista notou que as “dúvidas” lançadas pelo ministro “só depreciam a instituição militar” e “o colocam quase como um comum cidadão, como se nada soubesse e nada devesse saber”.
“Não podemos ter o Governo a dizer que não sabe se existiu ou não roubo em Tancos”, diz, por seu turno, a coordenadora do Bloco de Esquerda (BE), Catarina Martins, defendendo também a audição no Parlamento.
O PCP defendeu igualmente mais explicações do ministro no parlamento, considerando contudo irrelevantes as “suposições” do governante sobre o que aconteceu.
Para os comunistas o que é relevante saber numa próxima ida do ministro à comissão é “o ponto das eventuais averiguações que existem a nível interno”, se “havia indícios de vulnerabilidades”, se “houve negligência” e “se as medidas já determinadas estão a ser tomadas”.
“Surpreendentes e incompreensíveis”
Contactado pela Lusa, o coordenador dos deputados do PSD na comissão, Pedro Roque, admitiu essa possibilidade de audição, remetendo para a reunião uma posição definitiva sobre o assunto.
Na sua rubrica de comentário na RTP1, o social-democrata Morais Sarmento afiançou, neste domingo, que “não se pode pedir a demissão do ministro da Defesa sem se saber porquê e para quê”, embora realçando que as palavras de Azeredo Lopes são “surpreendentes e incompreensíveis”.
A audição do ministro tinha sido pedida pelo PSD, antes das férias parlamentares, sobre as Forças Nacionais Destacadas, relações com a NATO e sobre a Política Europeia de Segurança e Defesa.
[sc name=”assina” by=”ZAP” source=”Lusa”]
Só quem não tem dois dedos de testa consegue achar que aquilo que o Ministro referiu é um disparate.
Esse é o problema de ser ouvida apenas uma parte de uma entrevista, com uma expressão que está fora do contexto, para quem apenas a ouve isoladamente.
Aliás, logo no dia seguinte um general, não percebi quem, repetiu praticamente o mesmo.
Essencialmente o que dizem é básico: se não há um controlo eficaz e eficiente das armas e munições em paióis e casas de armas não se sabe o que aconteceu, quando e como e por quem. Portanto, querem implementar inventário em tempo real, e sistemas de vigilância e segurança que assegurem que isto não volte a acontecer.
Passem bem,