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A ministra da Imigração e da Integração da Noruega, Sylvi Listhaug, está no olho do furacão depois de se ter lançado à água para se pôr na pele dos refugiados que procuram chegar à Europa. A governante é ridicularizada e acusada de desrespeitar os mortos e de tratar o problema da migração como uma anedota.

O “mergulho político” de Sylvi Listhaug, como já chamam à sua iniciativa, aconteceu no passado dia 19 de Abril, ao largo de Lesbos, na Grécia. A ministra vestiu-se à altura do acontecimento, com colete salva-vidas e um fato à prova de água, lançando-se para o mar sob a vigilância atenta de nadadores salvadores noruegueses, presentes na Ilha grega para ajudarem os migrantes.

“Não nos podemos colocar na mesma situação que os refugiados, mas podemos vê-la do ponto de vista deles, do que é estar assim dentro da água”, justificou a ministra, em declarações a um canal de televisão norueguês.

No entanto, os seus conterrâneos não entendem a iniciativa da mesma forma e criticam-na, lembrando nomeadamente as políticas anti-migração que o partido a que está ligada defende.

A deputada socialista norueguesa Karin Andersen chega a propor à ministra, de forma irónica, que “abra a janela para compreender o ponto de vista dos sem-abrigo”

. E muitos a acusam de desrespeitar os milhares de pessoas que morreram na travessia para a Europa e de tratar o assunto como uma “anedota”.

Por outro lado, o “mergulho” de Sylvi Listhaug está a gerar uma onda de sátiras e há até quem sugira à ministra que, por razões de segurança, é melhor atirar-se antes para um copo de água.

Sylvi Listhaug já tinha sido notícia em Janeiro passado, quando decidiu reenviar migrantes da Noruega para a Rússia quando as temperaturas locais andavam na ordem dos 30 graus negativos.

A explicação que deu para a decisão acabou por alimentar ainda mais a onda de críticas. “Quando as pessoas não têm o direito de permanecer na Noruega são reenviadas para outros países, isso implica, na maior parte dos casos, que elas partam para condições menos boas que na Noruega, muito simplesmente porque a Noruega é um dos melhores países para viver”, disse na altura a ministra.

SV, ZAP