Valter Campanato / ABr
Ministra de Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves
A ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos do Brasil terá tentado impedir o aborto de uma criança de dez anos violada por um familiar, avança a Folha de São Paulo. A governante já reagiu, contestanto a reportagem do diário brasileiro.
Em agosto, o caso da criança de dez anos que engravidou depois de ter sido violada por um tio chocou o Brasil. A menina foi violada durante quatro anos e acabou por engravidar. Um primeiro hospital recusou-se a realizar o aborto, mas o procedimento foi autorizado numa outra instituição de saúde.
Organizações de defesa dos direitos da mulher e das crianças, assim como alguns políticos, defenderam o direito da criança em abortar, dado que a lei brasileira prevê o aborto para casos de violação. Contudo, a ala mais radical das igrejas evangélicas e a extrema-direita mostraram-se contra essa possibilidade.
O Governo brasileiro acompanhou o caso, através do Ministério da Família. Apesar de o acompanhamento ter sido conhecido e divulgado nas redes sociais, não se sabia que os enviados do Governo a Vitória insistiram para que a gravidez não fosse interrompida. A notícia é avançada pela Folha de São Paulo, que cita fontes que acompanharam o processo.
O matutino avança que, numa das reuniões, quatro mulheres que se identificaram como médicas de um hospital com ligações a uma igreja evangélica, e “pessoas da confiança de Damares”, propuseram internar a criança
e acompanhar a gestação. A ideia não foi acolhida e os assessores do Ministério da Família assumiram uma “estratégia de intimidação”.A criança acabou por interromper a gravidez. No entanto, antes de o poder fazer, a sua identidade foi revelada por Sara Winter, militante de extrema-direita que organizou um protesto à porta do hospital onde decorreu a intervenção.
Esta segunda-feira, o Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos publicou uma nota na qual contesta a reportagem do diário brasileiro. O organismo adianta que Damara Alves participou numa única reunião por videoconferência e nega que tivesse discutido o caso da menina, sublinhando que “as afirmações da reportagem são levianas”.
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