António Cotrim / Lusa

A ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa

A ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, disse esta quinta-feira que as falhas de funcionamento do SIRESP “não são de hoje”, recordando que este sistema de comunicações de emergência também falhou em 2012 e 2013.

“Há falhas de funcionamento do SIRESP, mas não são de hoje“, disse Constança Urbano de Sousa, na comissão parlamentar de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias, onde está a ser ouvida a pedido do PSD.

A ministra lembrou que este sistema falhou nos incêndios de 2012 e 2013, ano que deflagrou o fogo no Caramulo e morreram bombeiros, assim como nas cheias de 2013.

Respondendo às questões do deputado Carlos Abreu Amorim sobre as falhas no SIRESP durante o combate aos incêndios florestais de Pedrogão Grande, Gouveia, Alijó e Mação, a ministra, assumiu que “existe um problema que tem que ser resolvido com serenidade e sentido de Estado”.

284 horas de falhas

Segundo o Diário de Notícias, a ministra da Administração Interna avançou também no parlamento que o Sistema Integrado das Redes de Emergência e Segurança em Portugal falhou 284 horas em 2013.

Na comissão parlamentar de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias, Constança Urbano de Sousa adiantou que a rede de comunicações SIRESP também falhou em 2014, apesar de não se terem “registado grandes perdas de falta de desempenho”.

Segundo um documento do Ministério da Administração Interna, a que agência Lusa teve acesso, o SIRESP falhou em quatro grandes incêndios em 2012

, num total de 143 horas.

Em 2013, ano em que morreram oito bombeiros e um autarca durante os fogos, este sistema de comunicações falhou em cinco ocorrências de incêndio e temporais, adianta o documento, dando também conta que, em 2014, o SIREP esteve inoperacional uma vez num temporal.

O mesmo documento indica ainda que das 10 ocorrências registadas entre 2012 e 2014 com falhas no SIRESP, as estações móveis foram acionados uma vez em 2013. Na comissão parlamentar, a ministra admitiu as falhas no SIRESP.

Eu não disse que o SIRESP não falhou, tentei explicar quais as deficiências do sistema e tudo o que é preciso fazer para ele melhorar”, disse Constança Urbano de Sousa, em resposta aos deputados do PSD e CDS/PP.

Este ano, o SIRESP já falhou nos incêndios de Pedrogão Grande, que provocou a morte a 64 pessoas, Alijó e Sertã.

Quanto ao custo deste sistema, a ministra referiu que este ano está previsto um gasto de 40 milhões de euros com o SIRESP, valor que está na média dos últimos anos, designadamente 52 milhões de euros em 2014, tendo descido para 43 milhões, em 2015, e 41 milhões, no ano passado.

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