Paulo Vaz Henriques / Portugal.gov.pt

Ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa

António Costa aceitou, esta quarta-feira, a demissão da ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa.

Constança Urbano de Sousa apresentou, na noite desta terça-feira, a sua demissão ao primeiro ministro António Costa que, numa nota enviada à comunicação social esta manhã, esclareceu ter aceite o pedido por ter sido feito “em termos que não podia recusar“.

No mesmo comunicado, o primeiro ministro elogiou a “dedicação” e “empenho” com que a governante serviu o país, no desempenho das suas funções.

Na carta enviada ao chefe do Governo, Constança Urbano de Sousa sublinha que já tinha tinha pedido para abandonar o cargo, após a tragédia de Pedrógão Grande, mas que aceitou continuar em funções a pedido de António Costa, avança o Expresso.

“Logo a seguir à tragédia de Pedrógão Grande pedi, insistentemente, que me libertasse das minhas funções e dei-lhe tempo para encontrar quem me substituísse, razão pela qual não pedi, formal e publicamente, a minha demissão. Fi-lo por questão de lealdade“, esclareceu a ministra na missiva a que o Observador teve acesso.

Desde junho de 2017, a ministra diz que só aceitou manter-se em funções “com o propósito de servir o País e o Governo” que António Costa lidera e que diz a que teve a “honra de pertencer”.

Na carta de demissão, a ministra invoca a dignidade pessoal para Costa aceitar a sua demissão: “Apresento agora, formalmente, o meu pedido de demissão, que tem de aceitar, até para preservar a minha dignidade pessoal“.

Mais de 100 mortes em quatro meses

Em menos de quatro meses, desde a tragédia de Pedrógão Grande até este domingo, quando deflagraram mais de 500 focos de incêndio por todo o país, mais de 100 pessoas

morreram.

Em Pedrógão Grande, 65 pessoas morreram, vítimas do incêndio. Devido aos fogos deste domingo, o último balaço já chegou aos 42 mortos. À RTP, o autarca de Vouzela, Rui Miguel Ladeira Pereira, confirmou que foi encontrado o corpo de um homem. Neste momento, há também 69 feridos, 14 dos quais em estado grave.

A informação sobre a morte de um bebé de um mês, que estava até então desaparecido, foi avançada na segunda-feira e chegou a ser confirmada pela Proteção Civil.

Já ao fim do dia, contudo, começaram a surgir dúvidas sobre a veracidade da informação e, esta terça-feira, Patrícia Gaspar, adjunta de operações nacional da Proteção Civil, pôde confirmar que de facto a criança está viva. “Era de facto a indicação que tínhamos. Já ao final do dia de ontem e início do dia de hoje começaram a surgir sinais de que esta informação podia não ser correta”.

“Conseguimos hoje durante a tarde confirmar em definitivo que o bebé que estava referenciado se encontra bem e na companhia da família“, explicou.

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