Um dos donos do Grupo Lena, Joaquim Barroca, foi identificado pelo Ministério Público (MP) como o autor das transferências de dinheiro que foram feitas para Carlos Santos Silva, o amigo de José Sócrates.
A informação é avançada pelo Diário de Notícias, que sustenta que Rosário Teixeira, o procurador do Ministério Público responsável pela “Operação Marquês“, que implica José Sócrates em crimes de corrupção, fraude fiscal e branqueamento de capitais, terá chegado a esta conclusão após analisar os dados bancários que recebeu das autoridades suíças.
Rosário Teixeira terá deste modo “identificado, não só a origem do dinheiro, mas também o período no qual se verificaram transferências de muitos milhões de euros: de 2007 a 2009 – ou seja, durante os mandatos de José Sócrates como primeiro-ministro”, sustenta o Diário de Notícias.
Joaquim Barroca é, além de um dos donos, um dos administradores Grupo Lena que já tinha sido definido como o agente corruptor, neste caso, alegando o Ministério Público que o conglomerado beneficiou da adjudicação de obras avaliadas em 200 milhões de euros durante o mandato de José Sócrates.
De acordo com estes dados, Carlos Santos Silva surge no processo como um interveniente passivo, mero receptor e transmissor de dinheiro. Todavia, uma investigação da TVI, cujas revelações são citadas pelo Observador
, constata que o amigo de José Sócrates “conseguiu 115 milhões de euros em contratos públicos” em apenas seis anos.O Observador repara, citando a TVI, que Carlos Santos Silva “conseguiu 852 contratos públicos, a maioria por adjudicação e ajuste directo – 426 contratos por adjudicação, 281 por ajuste direto e 145 por concurso público”, entre Novembro de 2008 e Janeiro de 2015.
A publicação frisa ainda que “a grande maioria dos contratos assinados com o Estado e com autarquias foi celebrada no período entre 2009 e 2011, quando José Sócrates era ainda primeiro-ministro”.
Entretanto, os investigadores do MP estarão a tentar desenhar a rede financeira que envolve os crimes da Operação Marquês, de modo a conseguirem traçar exactamente o percurso do dinheiro. Para isso, estarão a analisar outros processos, nomeadamente os inquéritos às Parcerias Público Privadas Rodoviárias e à Parque Escolar, conforme adianta o jornal i.
ZAP
É tudo uma cambada de gatunos.