Autoridades chegaram ao local pelas 4h30 desta madrugada e encerraram o espaço noturno. Três seguranças foram detidos.

Foi pelas 4h30 da madrugada desta sexta-feira que o Ministério da Administração Interna enviou um ofício aos proprietários da discoteca Urban Beach, em Lisboa. No documento, lia-se que o estabelecimento de diversão noturna teria de ser encerrado e as pessoas que se encontravam no seu interior retiradas.

Na quinta-feira, foram divulgadas imagens de segurança daquele estabelecimento a agredir um jovem ao murro e pontapé e terá sido isso que motivou a decisão do ministério de Eduardo Cabrita.

Conforme essas imagens foram tornadas públicas, outras queixas de clientes que já frequentaram o espaço e dizem ter sido agredidas ou insultadas pelos seguranças do estabelecimento vieram a público.

De acordo com o Expresso, um dos seguranças que aparece no vídeo a pontapear um rapaz deitado no chão sem oferecer resistência já terá sido detido pela Polícia de Segurança Pública (PSP), logo às 4h30.

Já de acordo com o Correio da Manhã, outros dois seguranças envolvidos nas agressões foram também detidos ao início da tarde desta sexta-feira.

Paulo Dâmaso, presidente do Conselho de Administração do Urban Beach, que condenou rapidamente a situação, assim que as imagens foram divulgadas e antecipando que tinha já afastado aquela equipa de segurança, veio, já depois do encerramento do estabelecimento, dizer que esse ato não passava de “uma decisão unilateral depois de um julgamento na praça pública“: “Tenho mais de 100 trabalhadores que querem saber se vão receber o ordenado este mês”.

Segundo um comunicado do Ministério da Administração Interna, a decisão de encerrar o local foi tomada após audição de Fernando Medina, presidente da Câmara de Lisboa, e “assentou igualmente nas 38 queixas efetuadas à PSP sobre este estabelecimento ao longo do ano de 2017″.

O caso está agora entregue à divisão de investigação criminal da PSP. O Ministério Público já anunciou ter aberto um inquérito ao caso e a Câmara Municipal de Lisboa já pediu uma reunião com a secretária de Estado da Administração Interna, Isabel Onete, para discutir o assunto.

Entretanto, o ministro da Administração Interna determinou à PSP a realização de uma ação de fiscalização da atividade da empresa de segurança privada PSG, informou em comunicado.

A nota enviada à comunicação social adianta que “será também convocado o Conselho de Segurança Privada para análise da situação ocorrida” na discoteca. O Conselho é um órgão de consulta que integra a Inspetora Geral da IGAI, o Comandante Geral da GNR, o Diretor Nacional da PSP, o Diretor Nacional do SEF, o Diretor Nacional da PJ, o Secretário Geral do MAI e representantes de associações de empresas de segurança privada e de associações representativas do pessoal de vigilância, recorda o comunicado.

“Espancaram-me e deram-me uma facada”

O Correio da Manhã falou com os dois jovens que aparecem no vídeo a ser alvo das principais agressões daquela noite. Magnuncio Brandão revelou que “não consegui reagir. Espancaram-me e deram-me uma facada“, acrescentando depois que levou também “um soco na boca” e uma “facada no pé”.

A segunda vítima diz que foi “ajudar o colega que tinha caído” quando também foi espancado. “Começaram logo a agressão. Senti um peso na cabeça e desmaiei”.

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