Muitos militares do quadro permanente dos três ramos têm deixado as Forças Armadas devido a desmotivação, melhores salários no privado e a qualidade de vida civil. Porém, só sai quem pode pagar.
De acordo com o semanário Expresso, Ângela Pedro, major e médica, pagou 91 mil euros ao Estado para poder deixar o Exército e passar a dedicar-se a uma clínica privada. O valor surgiu após o Exército ter feito as contas aos cursos e formações que deu à major ao longo da carreira de 20 anos, de forma a indemnizar o Estado desse investimento, segundo uma fórmula de cálculo prevista na lei.
O valor que pagou foi elevado, segundo o jornal, por ainda não terem passado 10 anos desde o fim da sua especialidade. Uma década após completar a formação é o tempo mínimo para um oficial do quadro poder sair.
Mas há ainda quem pague mais. O Expresso dá o exemplo da Força Aérea, onde há pilotos a pagar entre 180 e 300 mil euros para ingressarem nas companhias comerciais. “Estamos a dar apoio jurídico ao caso de um piloto de helicópteros a quem o ramo pediu 750 mil euros para deixar os quadros”, revelou ao mesmo jornal o tenente-coronel António Mota, da Associação de Oficiais das Forças Armadas (AOFA), contestando a forma de cálculo usada pelos ramos para as saídas dos militares.
No grupo do Facebook Naval Zero há relatos de praças da Marinha – que, segundo o Expresso, ganham pouco mais do que o salário mínimo – a pagarem entre 1500 e 5.000 euros para “comprar” o abate aos quadros.
A falta de militares nas Forças Armadas está na ordem do dia. O Exército tem hoje 12.563 efetivos, metade do que tinha em 2002. Apesar disso, o Orçamento de Estado para 2020 não prevê aumentos salariais nem mudanças nas carreiras.
O Gabinete do Chefe do Estado-Maior da Força Aérea admitiu ao jornal que as saídas de pilotos e pessoal especializado “criam dificuldades ao nível da gestão dos recursos humanos, com impacto no cumprimento integral da missão, sem, no entanto, esta ser comprometida”.
Segundo fonte oficial do Ministério da Defesa, ouvida pelo Expresso, estão em curso “medidas que visam reverter o longo ciclo de desinvestimento nas Forças Armadas”.
O ministério de João Gomes Cravinho promete estudar “a reorganização da estrutura remuneratória da categoria de praças no decurso de 2020, bem como a viabilidade de um quadro permanente na categoria de praças, cujo estudo também deve estar finalizado no próximo ano”. Haverá obras para melhorar alojamentos nas “três unidades que revelaram níveis de satisfação mais reduzidos”. Os concursos para obras na Base Naval de Lisboa, na Base Aérea de Beja e em Tancos serão lançados em 2020.
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Acho que não é de espantar, são cursos de formações especializados que se fossem tirados fora da área militar custavam o mesmo e se pagam esses valores é porque acham que compensa a valorização na vida civil, além de que existe um contrato profissional entre o militar e a arma que escolheu e este é para cumprir.