Militantes do PSD foram contactados para responder a perguntas sobre a liderança do partido. Os sociais-democratas ponderam apresentar queixa à Comissão Nacional de Proteção de Dados.
Vários militantes do PSD foram contactados para responder a umas perguntas relativas à liderança do partido. A sondagem conduzida pela Multidados questionava os militantes sobre o nível de notoriedade dos potenciais candidatos à sucessão de Rui Rio no PSD. Os sociais-democratas foram então convidados a responder a quem preferiam que ocupasse a liderança do partido.
Os inquiridos mostraram-se indignados com o facto de a empresa Multidados ter acesso aos seus dados de militância e alertaram Rui Rio para a situação. A direção do partido já garantiu que não tem nada a ver com o caso e admite até apresentar queixa na Comissão de Proteção de Dados. A Multidados defende que todos os seus procedimentos foram de acordo com os termos fixados na lei.
Miguel Morgado, Luís Montenegro, Miguel Pinto Luz, Jorge Moreira da Silva e Pedro Duarte eram as alternativas oferecidas ao atual presidente, Rui Rio. Segundo o Observador, o militante era depois questionado sobre “qual preferia para liderar o partido depois de 6 de outubro”.
“Primeiro perguntaram-me como avaliava o mandato de Rui Rio, se positivamente, se negativamente. Depois perguntaram-me de entre dez temas, de 1 a 3, a quais Rio devia dar prioridade”, conta Diogo Carvalho, militante do PSD há dez anos.
O secretário-geral dos sociais-democratas, José Silvano, diz que o partido vai averiguar “se o nome do PSD foi utilizado abusivamente” e “se foi violado o Regime Geral de Proteção de Dados”. Caso isto se verifique, Silvano confessou que irá fazer queixa à Comissão Nacional de Proteção de Dados.
Em defesa da Multidados, a sua diretora, Florbela Borges, garante que este “é um estudo sobre o PSD e não do PSD” e que tinha como único objetivo avaliar a notoriedade dos potenciais candidatos após as eleições legislativas.
Quanto a uma possível infração do Regime Geral de Proteção de Dados, Florbela conta ao Observador que apenas foi usado “o painel que a empresa utiliza nos estudos e que está de acordo com a lei da proteção de dados”. A diretora da Multidados assegurou que a privacidade dos militantes não está em causa, já que os seus nomes não constam na base de dados.
“Nós sabemos por exemplo sobre uma pessoa a idade, a região do país, que é do PSD, que gosta da Nestlé e que tem um Peugeot, mas nunca sabemos o nome da pessoa. Fomos a esse painel para escolher os militantes do PSD”, explicou.
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Boa tarde.
Não existe o 'Regime Geral de Proteção de Dados' e sim o 'Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados'. Apenas por uma questão de rigor.
José António Pinto