José Sena Goulão / Lusa
O primeiro-ministro, António Costa
Foi tensa a reunião de quarta-feira, 24 de Junho, na sede do Infarmed, com políticos, parceiros sociais e especialistas em Saúde Pública a analisarem a situação da pandemia de covid-19 em Portugal. O primeiro-ministro António Costa esteve especialmente irritado e explodiu com Marta Temido, ministra da Saúde, num momento que deixou Marcelo Rebelo de Sousa “incrédulo”.
A tensão da reunião é relatada pela revista Visão que denota que António Costa não gostou de ouvir Marta Temido a dizer que o Norte do país tinha estado em confinamento no início da pandemia, quando esta estava sobretudo concentrada naquela região.
“É mentira, é mentira”, terá alegado o primeiro-ministro, “visivelmente aborrecido”, como relatam à Visão fontes que estiveram presentes no encontro. Costa vincou que o país nunca esteve em confinamento, notando que a actividade económica nunca parou por completo.
Estes relatos referem que Costa “pôs-se de pé” para “deixar claro” que “se algo falhar, a culpa não será sua”, criticando “a falta de clareza” dos dados que têm sido avançados pelos especialistas e pela Direcção-Geral da Saúde (DGS) e notando que é por causa disso que não tem sido possível tomar as medidas ideais para conter a propagação em Lisboa e Vale do Tejo.
Costa “ficou desconfortável com o facto de pela primeira vez em nove reuniões ter sido contrariado pelos epidemiologistas presentes
“, destacam as fontes ouvidas pela Visão. Um responsável político nota que “foi um momento de frustração porque a retórica de que está tudo bem acabou”.Durante o encontro no Infarmed, especialistas defenderam que o número de testes não tem nada a ver com o aumento dos infectados na região de Lisboa, o que contraria aquele que tem sido o discurso oficial de Costa.
O primeiro-ministro terá denotado “um crescendo de impaciência” ao longo da reunião, referem as fontes ouvidas pela Visão, notando que a sua “fúria” começou com “as intervenções de Baltazar Nunes, epidemiologista do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge e docente da Escola Nacional de Saúde Pública, e de Rita Sá Machado, da DGS, por terem desmontado a tese de que o crescimento do número de infectados derivou do reforço da testagem e dos comportamentos de risco dos jovens, que o Governo e o Presidente da República têm veiculado”.
A revista Sábado também confirmou “o momento de explosão” de Costa, sublinhando que “deixou todos os presentes perplexos”, conforme várias fontes presentes no encontro.
Os relatos recolhidos por esta publicação realçam que “foi notória a frustração do primeiro-ministro com a falta de explicações para o que se está a passar na região de Lisboa e Vale do Tejo”. Costa terá mesmo feito queixa pelo facto de não haver “ninguém” que consiga avançar “razões para esta propagação ou encontrar soluções para a travar”.
“Claro que aquilo a que assistimos não foi normal. Causou muita estranheza“, refere na Sábado uma fonte presente na reunião.
Após a irritação com Temido, Costa deixou mesmo o encontro dirigindo-se a Marcelo. “Senhor Presidente, voltamos a reunir-nos daqui a 15 dias”, afirmou, deixando o Chefe de Estado “incrédulo”, como conclui a Visão.
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É de birras. Na faculdade perdeu as eleições e barricou-se...