O economista Pedro Arroja apelidou as deputadas do BE de “meninas esganiçadas”, durante o seu tempo de antena como comentador no Porto Canal. O partido já veio mostrar a sua indignação perante este episódio e exige um pedido de desculpas formal pela estação portuense.

“Aqui entre nós que ninguém nos ouve, eu não queria nenhuma daquelas mulheres, nem dada”. Foi assim que Pedro Arroja se referiu às deputadas do Bloco de Esquerda esta terça-feira.

O problema é que, ao contrário do que o economista supôs, eram muitas as pessoas que o ouviam, já que estava no habitual espaço de comentário do Porto Canal, logo a seguir à queda do Governo de Passos Coelho.

Chamando-as de “esganiçadas” e considerando que as deputadas em questão “estão sempre contra alguém ou contra alguma coisa”, o comentador foi alvo de duras críticas nas redes sociais.

“Não conseguiria com elas, com uma delas, com uma mulher assim, construir uma comunidade, uma família. Elas estão sempre contra alguém ou contra alguma coisa. E lá em casa só havia dois tipos de pessoas, ou os filhos, ou o marido. O mais provável é que elas se pusessem contra o marido: todas as noites, todos os dias, durante o dia no Parlamento, à noite com o marido: ‘Porque tu é que tens a culpa disto!’”, continuou.

O Bloco de Esquerda também não deixou passar este episódio ao lado e já exigiu um pedido de desculpas formal à direção do canal, mais concretamente a Júlio Magalhães, avança o jornal Público

.

Na carta enviada, assinada pelo deputado Jorge Campos, o deputado considera que as declarações do economista “levantam perplexidade pelo carácter ofensivo e misógino com que se referiu a deputadas do Bloco de Esquerda”.

Além disso, os bloquistas citam ainda a Lei da Televisão e dos Serviços Audiovisuais a Pedido, na qual se ressalva o respeito pela pessoa humana.

1- A programação dos serviços de programa televisivos e dos serviços audiovisuais a pedido deve respeitar a dignidade da pessoa humana e os direitos, liberdades e garantias fundamentais.

2- Os serviços de programas televisivos e os serviços audiovisuais a pedido não podem, através dos elementos de programação que difundam, incitar ao ódio racial, religioso, político ou gerado pela cor, origem étnica ou nacional, pelo sexo, pela orientação sexual ou pela deficiência.

Se nos dias de hoje já é “absolutamente consensual que o incitamento ao ódio racial ou religioso é inaceitável, o mesmo não é adquirido no que respeita ao sexo e ao género”, pode ler-se na carta.

Apesar disso, o partido compreende que, uma vez que o programa em questão estava a ser emitido em direto, seria “impossível” prever ou “limitar” a situação.

No entanto, consideram que isso não impede o canal de “emitir de imediato um pedido de desculpas formal e estabelecer um distanciamento inequívoco relativamente” às declarações proferidas por Pedro Arroja.

ZAP