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Sara Winter, chefe do grupo de extrema-direita “300 do Brasil”, com o Presidente Jair Bolsonaro
Uma fiel apoiante do Presidente brasileiro divulgou, no último domingo, dados pessoais e a localização de uma criança, de 10 anos, que ia abortar depois de ter sido violada por um tio.
Sara Winter, chefe do grupo de extrema-direita “300 do Brasil” e uma fiel apoiante do Presidente Jair Bolsonaro, expôs nas suas redes sociais, no domingo, dados pessoais e a localização de uma menina, de 10 anos, que se preparava para abortar, depois de ter sido violada ao longo de vários anos por um tio.
A Justiça brasileira tinha autorizado nesse dia que a interrupção da gravidez fosse consumada, o que gerou várias manifestações de grupos antiaborto.
Após a fiel apoiante de Bolsonaro, que se autoproclama como “ex-feminista” e antiaborto, ter divulgado em que hospital a criança se encontrava, vários manifestantes reuniram-se em frente à unidade hospitalar e chamaram “assassina” à equipa médica responsável pelo caso. Alguns tentaram mesmo entrar nas instalações do hospital, mas a polícia conseguiu impedir a ação e reforçou a segurança no local.
Houve, também, uma iniciativa de apoio à interrupção da gravidez e defesa do direito da criança, com a presença de mulheres.
A divulgação dos dados da menor é uma violação do Estatuto da Criança e do Adolescente do Brasil, que assegura a preservação da identidade da criança.
Esta segunda-feira, o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) entrou com uma ação no Ministério Público brasileiro contra Sara Winter por ter divulgado os dados da menina e acionou ainda a Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão.
Atualmente, o aborto apenas é permitido no Brasil quando a gravidez é resultado de uma violação, quando há risco de vida para a mulher e se o feto for anencéfalo (malformação que consiste na ausência de cérebro ou de parte dele).
No entanto, apesar de o caso em questão se enquadrar na lei do aborto, este causou bastante polémica e reabriu o debate sobre a descriminalização da interrupção voluntária da gravidez no país sul-americano, que possui uma das leis mais duras do mundo.
Esta situação veio a público, na semana passada, quando a criança foi levada a um hospital da cidade de São Mateus, no estado do Espírito Santo, com fortes dores abdominais, tendo revelado aos médicos que havia sido violada pelo tio, de 33 anos, que se encontra foragido.
Depois de um exame, foi confirmada a gravidez da menina, que relatou ser vítima de violações sexuais recorrentes por parte do tio desde os seis anos de idade. A criança disse ainda que nunca falou sobre os abusos sofridos porque o familiar ameaçou fazer mal à sua família.
Na última quinta-feira, a Polícia Civil acusou formalmente o tio da vítima e a justiça decretou a sua prisão preventiva, mas até ao momento as autoridades não descobriram o paradeiro do suspeito.
Após a publicação dos dados pessoais da criança, a Justiça brasileira determinou que as plataformas Google Brasil, o Facebook e o Twitter retirassem da Internet, em 24 horas, as informações.
Sara Winter foi detida, em junho, pela participação e promoção de atos antidemocráticos e suspeitas de ameaçar juízes do Supremo Tribunal Federal (STF). Foi, entretanto, libertada, com pulseira eletrónica.
[sc name=”assina” by=”ZAP” source=”Lusa” ]
Sou de direita, mas esta Sara Winter é um escarro de ser humano.