David Maxwell / EPA

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump

Vivem-se dias de alta tensão no Médio Oriente, depois da retirada dos EUA do acordo nuclear com o Irão. E o barril de pólvora pode explodir na próxima semana, com a mudança da Embaixada dos EUA para Jerusalém.

Depois do anúncio de Trump da saída dos EUA do acordo nuclear com o Irão, Israel e Irão dispararam mísseis um contra o outro. Mas há receios de que este ambiente de alta tensão possa agravar-se ainda mais com a mudança da Embaixada dos EUA para Jerusalém, que acontece já na próxima semana.

As consequências da decisão, que foi uma das promessas da campanha eleitoral de Trump, são imprevisíveis. Mas não há dúvidas de que podem surgir actos de violência, e as autoridades norte-americanas estão a preparar a mudança com medidas de segurança reforçadas.

“Numa situação altamente tensa, atiramos gasolina para a fogueira retirando-nos do acordo nuclear com o Irão”, destaca o ex-dirigente da CIA, Bruce Riedel, em declarações à CNN.

Este elemento diz que a mudança da Embaixada para Jerusalém é “muito perigosa”. “É enviar o sinal de que os EUA querem confrontar o Irão, e esse é um sinal que os israelitas e os sauditas estão muito ansiosos por ouvir”, sustenta Riedel.

Além da tensão entre Israel e Irão, a Arábia Saudita mantém, na fronteira com o Iémen, uma guerra com os rebeldes hutis, que são apoiados pelas autoridades iranianas. Os EUA são acusados de estarem a apoiar secretamente os sauditas nesta guerra contra os rebeldes muçulmanos.

A guerra civil na Síria continua também a incendiar a região. E há ainda a tensão que persiste há anos entre Israel e Palestina, com ambos os países a reclamarem Jerusalém como sua capital.

A isto acresce o facto de Jerusalém ser considerada uma cidade sagrada na maioria dos países árabes.

Além disso, a mudança da Embaixada dos EUA para Jerusalém acontece no dia em que se assinala o aniversário da fundação de Israel

, data que para os palestinianos é conhecida como “Naqba” ou “desastre”, porque levou a que “centenas de milhares de palestinianos” fossem “forçados a fugir das suas casas”, frisa a CNN.

É como colocar “sal na ferida”, segundo a análise de alguns especialistas da região na estação norte-americana.

Mas para o Embaixador dos EUA em Israel, David Friedman, a decisão de Trump vai acabar por gerar “maior estabilidade” na região, pois “cria uma oportunidade e uma plataforma para proceder com o processo de paz com base em realidades, mais do que em fantasias”, conforme declarações divulgadas pela CNN.

Entretanto, Israel tem tentado obter o apoio da Rússia contra o Irão na Síria, onde os russos têm actuado como aliados do regime no poder, liderado por Bashar Al Assad. Mas as negociações não estarão a ser fáceis.

Publicamente, a Rússia junta-se às vozes de Reino Unido, Alemanha e França que apelam à “moderação” na zona, para evitar uma escalada de violência. Uma intervenção que visa também a defesa de interesses económicos no Irão, onde empresas francesas e alemãs, por exemplo, se têm manifestado preocupadas com as sanções impostas pelos EUA, no seguimento da saída do acordo nuclear.

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